Epitacio Pessoa/AE
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Venda de motos deve passar a de carros em 2012

Estudo do Ipea revela que em dez anos os veículos sobre duas rodas - que poluem e matam mais - serão maioria nas ruas do País

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

O Brasil vai tornar-se um país sobre duas rodas. Em dez anos, haverá mais motos nas ruas que carros. E já em 2012 haverá mais brasileiros comprando motocicletas que outros veículos. É o que aponta o estudo "A Mobilidade Urbana no Brasil", do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem.

"A forma que o cidadão encontra para deixar o transporte público é ir para a motocicleta. Moto polui muito mais que carro. Se comparar com transporte público, polui 40 vezes mais", observa o coordenador do trabalho, o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho.

A moto também mata muito mais que o carro. Em 1997, houve 12.500 mortes de pedestres, 973 de motociclistas e 3.900 de pessoas em carros. Em 2007, depois que 7,6 milhões de veículos sobre duas rodas entraram no trânsito, o número de mortes de motociclistas passou para 8.118, o de pedestres caiu para 9.657 e o de motoristas subiu para 8.273.

Carvalho cita o exemplo do Rio para mostrar a transformação das viagens urbanas no País. Em 1950, bondes respondiam pela maioria dos deslocamentos (649 milhões de viagens por ano), seguidos de ônibus (216 milhões), trens (208 milhões) e carros (20 mil). Em 2005, automóveis fizeram 1,6 bilhão de deslocamentos urbanos e os ônibus, 1,5 bilhão. Trens e metrôs responderam por 259 milhões.

A prioridade para o transporte individual preocupa. Sistemas de trem e metrô estão presentes em apenas 13 regiões metropolitanas. A malha foi expandida em 26,5% na década - linhas de metrô cresceram 8%.

São Paulo. Em grandes vias da capital paulista, a relação entre motociclistas e motoristas costuma ter momentos de tensão. Cerca de 500 mil motociclistas se deslocam sobre duas rodas diariamente pela cidade, segundo a Associação Brasileira de Motociclistas (Abram). Além deles, há 250 mil motoboys e outros 100 mil que usam moto para outros trabalhos. Uma parcela menor tira motos da garagem só nos fins de semana.

O presidente da Abram, Lucas Pimentel, afirma que a cidade foi sempre pensada para o automóvel e são necessárias novas regulamentações incluindo o motociclista - como faixas exclusivas.

Na capital, a frota de motos cresceu 6,59% de abril de 2010 a abril de 2011 - o aumento dos automóveis foi de 2,26%.

2 PERGUNTAS PARA...

Carlos Henrique de Carvalho,

pesquisador do Ipea

1.O avanço das motos é um problema?

Em uma década seremos um país sobre duas rodas. Estamos seguindo modelo asiático. Lá, motos entopem ruas. Isso é efeito de um transporte público ruim, pouco atrativo.

2. As obras para a Copa 2014 vão ajudar a mudar esse cenário?

Em linhas gerais, são projetos estruturantes. Mas alguns são voltados ao evento. Gasta-se muito recurso com um projeto que só terá efeito durante a Copa. É preciso ter visão mais ampla para resolver o problema como um todo.

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