Vencer 33 andares no menor tempo? 600 atletas toparam

Amadores e profissionais subiram 765 degraus em corrida vertical na zona sul de SP. Vencedores chegaram em menos de 5 minutos

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Heliponto. Chegada ao ar livre foi um dos pontos mais elogiados                

 

 

 

 

Morena estilo Letícia Sabatella, a contadora espanhola Tina Gomez, de 29 anos, não sabe explicar por que não arruma namorado. Há nove anos sem entrar em um elevador, ela se levantou ontem às 7h para subir os 765 degraus de um prédio de 33 andares no Brooklin, zona sul de São Paulo. Tina não estava pagando promessa. Ela era um dos dez atletas de elite que vieram de fora do País para participar da Corrida Vertical Brasil.

"É difícil encontrar alguém que me acompanhe", diz a catalã, com expressão de gata borralheira, em uma tentativa de explicar o motivo de estar "sola".

Seiscentas pessoas participaram da prova, primeira no Brasil com a chancela da International Skyrunning Federation (ISF), que detém o calendário oficial do Vertical World Circuit. Além dos atletas estrangeiros, que vieram de quatro países, havia 50 brasileiros de elite.

Animadíssimo com o evento, o organizador da corrida, o empresário Marco Scabia, da Mix Brand Experience, explicava que 3 minutos subindo uma escada sem correr equivalem a 30 minutos de caminhada na rua.

Ao contrário dos atletas de fora, que têm mais familiaridade com o evento e vieram treinados, os nossos não tiveram tempo de se condicionar adequadamente. "Nada melhor para treinar subida em escada do que subir escada", diz Scabia.

Primeiro da quarta bateria, o vigia Rodrigo Lopes Sabino, de 24 anos, contava que não teve como treinar. "O prédio em que eu trabalho é térreo", diz ele, que terminou a São Silvestre em pouco mais de uma hora e, ontem, só a partir do 25.º andar sentiu "um cansaçozinho". A pequena multidão subia em turmas de dez a 20 pessoas.

Os melhores. Invenção dos americanos, o vertical running começou informalmente quando um grupo de exóticas criaturas resolveu subir o Empire State Building, de Nova York, só por subir. Em pouco tempo, virou prova de atleta e atraiu gente do mundo todo - os melhores do são os europeus.

Na sala VIP - ela existe até na corrida vertical -, o milanês Marco Savi, de 50 anos, representante da ISF no Brasil, diz que só sobe escada quando é absolutamente necessário. Bronzeado, pinta de playboy, ele argumenta: "Por acaso o (Bernie) Ecclestone corre na F-1?" Savi veio para ver as condições do prédio, o terceiro mais alto de São Paulo, e elogiou a boa largura das escadas e o fato de a chegada ser ao ar livre (em um heliponto com vista para a Marginal do Pinheiros).

Prêmios. A primeira colocada brasileira foi Maria Cristina Bernardo, uma morena enxuta de 39 anos, que percorreu os 142m de altura, ou quase 500m em distância, em 5,36 minutos. O melhor tempo feminino foi da neozelandesa Melissa Moon (4,51 minutos) e o masculino, do italiano Marco Gaspari (3,29 minutos). Eles ganharam R$ 2 mil cada.

Exceção em um ambiente onde todos pareciam estar em concentração total, o analista de sistemas Marcelo Rossi, de 36 anos, contava que veio direto da balada para a prova. No fim da corrida, ele até parecia bem, especialmente depois de contar que não dormia desde a manhã de sábado e passou a noite bebendo vodca e energético. "Não queria perder a balada nem a corrida."

Ao desembarcar da maratona na sala VIP, a modelo-socialite Aline Samy, de 29 anos, fez poses para um fotógrafo e disse: "É psicológico, gente. Você ouve aquelas pessoas bufando, uh, uh, uh, e acha que vai passar mal, mas continua... Por que você não sobe com a gente na próxima?"

Uh, uh.

LÁ TEM...

Vasteras (Suécia)

O recorde mundial da categoria foi batido em maio, por um

sueco. Ele desceu 100 metros em 34 segundos e 76 centésimos.

Londres (Inglaterra)

Em fevereiro, o prédio londrino apelidado de Gherkin, ou pepino, no coração financeiro da cidade, teve sua primeira corrida

vertical. Os atletas subiram

38 andares - ou 1.037 degraus.

Outras cidades

O circuito mundial 2010 de corrida vertical, do qual São Paulo faz parte, ocorre ainda em Milão, Nova York, Basileia, Berlim, Taipei, Sydney, Barcelona e Cingapura.

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