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Velocidade de ingestão da vodca pode ter agravado complicações causadas pela bebida

Presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia diz que, se Humberto Moura Fonseca tivesse bebido devagar, o corpo poderia ter eliminado o álcool; jovem morreu após competição em festa

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2015 | 19h58

A velocidade de ingestão da vodca pode ter agravado as complicações causadas pelo álcool no caso da morte do estudante de Engenharia Elétrica Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, que participou de uma competição em uma festa realizada em Bauru, no interior paulista, neste 28. "O organismo teria tempo de metabolizar e eliminar em mais horas. Ao tomar muito rápido, não deu tempo de eliminar. A velocidade de ingestão foi maior do que a de eliminação. O álcool pode ser um veneno e, quanto maior a dose, mais severos são os efeitos", explica o presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia Daniel Junqueira Dorta, que também é professor de Toxicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Dorta diz que o álcool atua como uma substância inibitória no sistema nervoso central, da parte frontal para a parte de trás do cérebro. "A parte perto da nuca tem o centro que regula a respiração do organismo. A pessoa acaba perdendo a capacidade de respiração. Na literatura, a gente encontra que a partir de 5 gramas de álcool por litro de sangue pode ocorrer a depressão do centro respiratório, levando à morte."


O professor cita como exemplo o uísque, cuja dose de 25 a 40 ml leva a uma concentração de 0,6 a 0,8 gramas de álcool por litro de sangue. A dificuldade de articular palavras e a diminuição dos reflexos podem aparecer com 1 grama de álcool por litro de sangue.

Diversos fatores interferem nos danos que a bebida alcoólica em excesso podem causar, entre elas problemas no fígado, a quantidade de álcool ingerida, o metabolismo e o fato de o estômago estar vazio. "O peso influencia também. Na pessoa obesa, o álcool acaba se difundindo para o tecido adiposo e pode segurar um pouco (os efeitos)."

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