Felipe Rau/Estadão - 21/04/2022
Desfiles das escolas de samba do grupo especial de São Paulo ocorrem na sexta-feira, 22, e no sábado, 23 Felipe Rau/Estadão - 21/04/2022

Velhas Guardas abrirão desfiles do grupo especial do carnaval de SP

Homenagem reúne cerca de 550 representantes das 34 escolas de samba da LigaSP; ideia é que desfile ocorra anualmente

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2022 | 12h01

Uma homenagem às Velhas de Guardas das escolas de samba de São Paulo abrirá o carnaval do grupo especial nesta sexta-feira, 22, no Complexo do Anhembi. O desfile contará com representantes das 34 agremiações filiadas à Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) e ocorrerá por volta das 20 horas.

Idealizada pelo presidente da Liga-SP, Sidnei Carriuolo, a homenagem foi preparada por seis nomes históricos do carnaval paulistano, que compõe o Departamento de Velha Guarda e Baluartes do Carnaval Paulistano (Mercadoria, Fernando Penteado, Landão, Zulu, Borrão e Arnaldinho). O grupo tem destacado o ineditismo da proposta. 

Ao todo, serão cerca de 550 componentes em 35 minutos de desfile. A ordem seguirá a dos desfiles do grupo especial e incluirá também uma bateria, com aproximadamente 100 componentes, também de Velhas Guardas. 

Segundo Penteado, os desfilantes com mobilidade reduzida irão em carros conversíveis antigos, enquanto os demais percorrerão o sambódromo no chão. À frente de todos, irá Carlão do Peruche, de 91 anos, chamado de o "último cardeal do samba” e fundador da Unidos do Peruche.

“Cada um (vai) com a roupa da sua Velha Guarda”, pontua Penteado, nome histórico do Vai-Vai. “Vai ser uma grande homenagem que não temos notícia de acontecer no Brasil”, afirma. 

As músicas serão também cantadas por veteranos do carnaval, como Bernardete e Thobias da Vai-Vai, acompanhados de cavaquinho, violão e outros instrumentos, com um pout pourri de sambas clássicos (“Não deixe o samba morrer”, por exemplo, entre outros).

A ideia é que o desfile ocorra anualmente no primeiro dia do grupo especial. No segundo dia do grupo, tradicionalmente, a abertura é feita pelo último grupo de afoxé do carnaval das escolas de samba, o Filhos da Coroa de Dadá.

De acordo com Penteado, o desfile vai “celebrar a vida”. “Chamamos de o carnaval da vida. Vamos cantar a vida. É uma homenagem à própria vida”, diz. A homenagem aos tantos nomes do carnaval vitimados pela covid-19 será individual, em “pensamento”, segundo ele. “Muitos sambistas, amigos nossos, e parentes se foram.”

O grupo especial retornará ao Anhembi neste feriado prolongado de Tiradentes. Os ingressos para sábado, 23, estão esgotados em todos os setores da arquibancada e parte dos camarotes, enquanto ainda há opções à venda para quase todos os setores de sexta-feira, exceto o E.  Os valores vão de R$ 90 (setor F da arquibancada) a R$ 650 (camarotes). O desfile do Acesso I ocorre nesta quinta-feira, 21, enquanto o Acesso II foi no sábado passado, 16.

Tudo o que sabemos sobre:
carnavalEscola de Samba

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Carnaval de SP desfila enredos com crítica social, reafirmação da negritude e religiosidade

Grupo especial se apresenta na sexta-feira e no sábado; homenageados vão de Adoniran Barbosa e Carolina de Jesus a Carlinhos Maia

Priscila Mengue e Danilo Casaletti, especial para o Estadão

21 de abril de 2022 | 12h35

Em contagem regressiva, o retorno das escolas de samba do grupo especial de São Paulo ao sambódromo do Complexo do Anhembi ocorre nesta sexta-feira, 22, e sábado, 23, após mais de dois anos. Os desfiles de carnaval apresentarão diversidade de enredos: haverá homenagens a personalidades das artes e até da internet, narrações de episódios históricos, críticas à situação do País e celebrações da negritude e diversidade religiosa, dentre outros.

Um dos desfiles que deve trazer críticas sociais mais acentuadas é o da Gaviões da Fiel, com o enredo “Basta!”, sobre as desigualdades sociais. O samba eleito foi agrupado a partir de duas composições, uma composta por uma turma liderada pelo humorista Marcelo Adnet, que fala em “pátria-mãe hostil” e “senzala Brasil”.

Há referências a Nelson Mandela e ao Cacique Raoni. "Um enredo crítico contra os abismos sociais do país. É um grito entalado na garganta. Um samba que passeia por muitos assuntos no pouco tempo que ele poderia ter. A harmonia é valente, aguerrida e emocionante", comentou à reportagem.

Da ala paulistana do samba-enredo (que tem 22 autores), está o compositor Morganti, corinthiano e ligado à escola desde 2013. É deste grupo o refrão principal: “Escute o meu clamor/ Oh, pátria amada/ É hora da luta sair do papel/ Basta é o grito que embala o povo.” “O verso ‘a hora da luta sair do papel’ é o que representa o enredo. Será o momento em que a escola dará seu grito”, explica Morganti. A Gaviões desfilará a partir das 23h35 do sábado.

Um dos presidentes da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo Santos considera que o carnaval será uma grande homenagem às vítimas da covid-19, mesmo sem fazer menções diretas. “Vamos celebrar o fato de estarmos vivos e homenagear a todos que não tiveram a mesma oportunidade. Esse talvez seja o grande pano de fundo de tudo que vai acontecer nesse carnaval totalmente atípico."

Santos avalia que os enredos deste ano terão a religiosidade como um elemento presente, o que avalia como uma influência da pandemia. “Muitas escolas estão resgatando um pouco dessa parte da emoção, relacionando os seus temas a essa questão mais de religiosidade, aos cuidados, à sabedoria, a coisas mais místicas”, avalia. 

Na Acadêmicos do Tatuapé, por exemplo, um Preto Velho (entidade da umbanda) chegará no abre-alas para contar a trajetória do café, despedindo-se ao fim do desfile nos braços de Iemanjá. “Todos (os desfiles) têm uma mensagem de vamos ficar juntos, vamos se cuidar, porque ninguém está cuidando de nós.” O desfila começa às 3h55 de sexta.

Jairo Roizen, diretor de carnaval da Colorado do Brás, avalia que este carnaval terá duas vertentes principais. A primeira é de celebração à vida, enquanto a segunda é a da luta contra o racismo e o preconceito. “O nosso enredo fala sobre uma pessoa que passou por muito preconceito. Ele fala: não duvide da bravura da mulher negra.”

A escola contará a trajetória da escritora Carolina Maria de Jesus, que morou em uma favela nas proximidades da quadra da escola. “É uma personagem muito próxima da nossa escola, da nossa realidade”, comenta Roizen.

Com início às 23h35 de sexta, o desfile contará a história da escritora como o de uma “Cinderela negra do Canindé”, que receberá até um sapatinho de cristal. O abre-alas foi forrado com duas toneladas de papelão, para lembrar o período em que Carolina foi catadora do material. Na comissão de frente, a escritora virará uma princesa em meio a um baile antigo, durante o qual também serão feitas coreografias típicas da rede social TikTok.

Roizen comenta que o desfile será em homenagem especialmente a dois nomes históricos da escola: dona Nalvinha, uma das lideranças das baianas, e o diretor de bateria Carlinhos Sebastian (que também será lembrado em estampas nos instrumentos), vitimados pela covid-19 em maio de 2020. “Mas o samba-enredo será alegre, para cima.”

Além de figuras históricas, o carnaval paulistana também homenageará uma personalidade das redes sociais: o influenciador digital Carlinhos Maia será homenageado pela escola Império de Casa Verde. Segundo o carnavalesco Leandro Barbosa, o enredo contará a trajetória da comunicação desde o sinal de fumaça até os nomes populares da internet, como o homenageado, que estará no último setor do desfile, em um carro interativo, que exibirá mensagens de espectadores em oito celulares gigantes. O desfile encerrará o grupo especial, às 5 horas, de sábado.

Como outras escolas, alguns detalhes do desfile mudaram ao longo dos mais de dois anos. A ideia dos telões com mensagens (algumas com menções à superação, em referência à pandemia), por exemplo, surgiu há um mês e foi testada nesta semana. "A expectativa está sendo muito grande, é um carnaval de dois anos. Até 15 dias atrás, a gente ficava naquela ‘será que vai acontecer mesmo ou não vai’", descreve Barbosa. “Será leve. A gente não queria trazer esse peso do sofrimento.”

Cristiano Bara, carnavalesco da Unidos de Vila Maria, faz menção semelhante ao mix de emoções, que também envolve a perda da mãe, Estelita, há quase uma semana, que pretendia desfilar pela primeira vez. “Recebi um carinho sem tamanho, e é isso que pede esse enredo. O samba falava de abraçar, do amor pelo carnaval, à vida, às pessoas”, comenta. “Vai ser o carnaval da vida da gente, de ter ganhado a segunda chance.”

Marcado para as 2h50 desta sexta, o desfile abordará a coletiva e solidariedade. Em uma parte, falará sobre os “destemidos”, como os profissionais da educação e saúde. Em outra, mostrará uma grande favela, em um retrato sobre a cultura local, como o samba, o funk e a gafieira. “Vai ser um carnaval de sensações.”

Saiba como serão os desfiles do grupo especial de São Paulo

Ao todo, serão sete escolas por dia, com desfiles iniciados entre as 22h30 e 5 horas do dia seguinte. A Acadêmicos do Tucuruvi e o Vai-Vai retornam ao grupo especial na noite de sexta-feira e sábado, respectivamente, após um ano no Acesso I, enquanto a atual campeã, a Águia de Ouro, passará pelo Anhembi na madrugada de domingo, à 1h45.

Na sexta-feira, a Acadêmicos do Tucuruvi dará início aos desfiles do grupo especial com um enredo sobre o passado, o presente e o futuro do carnaval. Depois, a Colorado do Brás contará a trajetória da escritora Carolina de Jesus, seguida da Mancha Verde com “Planeta Água” e da Tom Maior com uma transposição da história de “O Pequeno Príncipe” para o sertão nordestino, inspirada em um cordel de Josué Limeira e Vladimir Barros. 

Na sequência, a Unidos de Vila Maria fará um desfile de reflexão sobre a solidariedade e a coletividade e a Acadêmicos do Tatuapé traçará a trajetória do café no Brasil a partir da perspectiva de um Preto Velho. Por fim, a Dragões da Real abordará a vida e a obra do compositor Adoniran Barbosa, com um dos netos do artista (Alfredo Rubinato) entre os onze autores do samba-enredo.

No sábado, o Vai-Vai retorna ao grupo especial com o enredo “Sanfoka” sobre a ave sagrada africana que simboliza que nunca é tarde para voltar e buscar o que ficou esquecido. Na sequência, a Gaviões da Fiel trará o seu desfile engajado, batizado de “Basta!”, que narrará a desigualdade social em diferentes aspectos.

Terceira a entrar no sambódromo no sábado, a Mocidade Alegre mostrará a trajetória da cantora Clementina de Jesus, seguida da atual campeã, Águia de Ouro, que promete um cortejo de exaltação à diversidade étnica e cultural brasileira e contra a intolerância religiosa. 

Depois, a Barroca Zona Sul falará sobre o Zé Pilintra, o malandro-boêmio considerado como entidade por religiões brasileiras de matriz africana, enquanto a Rosas de Ouro vai abordar os rituais e caminhos para a cura dos males — pelas mãos, pela alma ou pela mente. O fechamento será com a Império de Casa Verde, que abordará o “o poder das comunicações”, com o influenciador digital Carlinhos Maia como homenageado.

Diante dos adiamentos impostos pela pandemia, o carnaval deste ano será uma virada de página, com número de componentes cerca de 25% menor, o que também impactou na quantidade de carros alegóricos e alas. As demais regras de transição que chegaram a ser acordadas, como o uso de máscaras, foram abolidas após a redução nas taxas de transmissão da covid-19 e as flexibilizações.

Os ingressos de sábado estão esgotados para a arquibancada e parte dos camarotes, enquanto ainda há opções à venda para quase todos os setores de sexta-feira, exceto o E.  Os valores vão de R$ 90 (setor F da arquibancada) a R$ 650 (camarotes). O desfile do Acesso I ocorre nesta quinta-feira, 21, enquanto o Acesso II foi no sábado passado, 16.

Confira abaixo a ordem dos desfiles e os respectivos sambas-enredo:

22 de abril (sexta-feira)

22h30 – Acadêmicos do Tucuruvi

Reflexões sobre o passado, presente e futuro do carnaval, como aponta o título: “Carnavais… De lá pra cá, o que mudou? Daqui pra lá, o que será?”

 

23h35 – Colorado do Brás

Escritora é homenageada no enredo “Carolina de Jesus — A Cinderela negra do Canindé”.

 

0h40 – Mancha Verde

Enredo “Planeta Água” abordará recurso natural, tanto como essencial à vida quanto elemento protagonista em diversas religiões.

 

1h45 – Tom Maior

Enredo "O Pequeno Príncipe no Sertão" transporta personagens do livro para o nordeste brasileiro, com inspiração na obra “O pequeno príncipe em cordel” (de Josué Limeira e Vladimir Barros).

 

2h50 – Unidos de Vila Maria

Desfile propõe uma reflexão sobre a solidariedade e a coletividade.

 

3h55 – Acadêmicos do Tatuapé

Enredo traça a trajetória do café no Brasil a partir da perspectiva de um preto velho.

 

5h00 – Dragões da Real

Vida e a obra de Adoniran Barbosa, com samba-enredo de onze compositores, incluindo um neto do sambista, Alfredo Rubinato.

 

23 de abril (sábado)

22h30 – Vai-Vai

Retorno ao grupo especial terá a ave sagrada africana “sankofa” como inspiração, pelo simbolismo de que nunca seria tarde para voltar e buscar o que ficou esquecido.

 

23h35 – Gaviões da Fiel

Enredo “Basta!” aborda a desigualdade social em diferentes aspectos.

 

0h40 – Mocidade Alegre

Desfile contará a trajetória e obra da cantora Clementina de Jesus.

 

1h45 – Águia de Ouro

Atual campeã promete um cortejo de exaltação à diversidade étnica e cultural brasileira e contra a intolerância religiosa. 

 

2h50 – Barroca Zona Sul

Enredo enfoca o Zé Pilintra, o malandro-boêmio considerado como entidade por religiões brasileiras de matriz africana. 

 

3h55 – Rosas de Ouro

Rituais e caminhos para a cura dos males — pelas mãos, pela alma ou pela mente — guiarão o desfile.

 

5h00 – Império de Casa Verde

Desfile viaja dos “primórdios da humanidade” até os influenciadores digitais para falar sobre “o poder das comunicações”, com o influenciador digital Carlinhos Maia como homenageado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Escolas do Rio homenageiam personalidades, destacam a África e lembram a gripe espanhola

Na volta ao Sambódromo após mais de dois anos, só duas escolas vão abordar diretamente a covid-19; ator Paulo Gustavo, morto pela doença, será homenageado

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2022 | 10h00

RIO - Após dois anos e 53 dias em silêncio devido à pandemia de covid-19, as doze escolas de samba da elite do carnaval do Rio voltam a desfilar pelo Sambódromo na Marquês de Sapucaí a partir das 22h desta sexta-feira, 22. Cancelado em 2021, o desfile foi adiado este ano por 54 dias. Na data oficial do carnaval, em fevereiro, a disseminação da covid-19 ainda era considerada perigosa. Por isso, pela primeira vez as escolas desfilam depois do feriado da Páscoa e para muitos tem a marca da redenção.

A TV Globo vai transmitir, a partir das 22h45. A primeira escola de cada dia, que vai se apresentar até as 23h10, terá apenas um pequeno trecho televisionado.

Os enredos podem ser divididos em três grupos. Quatro escolas (Imperatriz Leopoldinense, Mangueira, São Clemente e Unidos de Vila Isabel) vão homenagear personalidades. Outras quatro (Portela, Mocidade Independente, Unidos da Tijuca e Grande Rio) vão discorrer sobre elementos considerados sagrados por religiões africanas ou pela cultura indígena. Três escolas (Salgueiro, Beija-Flor e Paraíso do Tuiuti) vão exaltar os negros e sua cultura.

A única escola que não se encaixa nessa divisão é a atual campeã, Unidos do Viradouro. Ela vai relembrar o carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia de gripe espanhola, que matou 35 mil pessoas no Brasil. Antes da covid-19, era considerada a maior pandemia da história. O carnaval de 19 é considerado lendário, pela alegria com que os cariocas comemoraram o fato de terem sobrevivido à doença.

Embora este seja o primeiro desfile após a pandemia de covid-19, a doença só deve ser tema mais central nos enredos da Viradouro e da São Clemente. Esta homenageará o ator Paulo Gustavo, morto pela doença. Críticas políticas também podem surgir, mas não há previsão de nenhum ataque mais contundente ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Reclamações contra a inflação e as denúncias de corrupção no governo federal devem ficar mesmo para os blocos de rua. Neste ano, vão desfilar sem nenhum apoio da prefeitura.

A primeira noite de desfiles na Sapucaí concentra três homenagens a personalidades, duas exaltações à cultura negra e a visita ao carnaval de 1919. A primeira escola a desfilar será a Imperatriz Leopoldinense, que foi rebaixada em 2019 e venceu o desfile da segunda divisão em 2020, garantindo o retorno à elite.

A escola vai homenagear o cenógrafo, figurinista e carnavalesco Arlindo Rodrigues (1931-1987), responsável pelos dois primeiros títulos da Imperatriz, em 1980 e 1981. O enredo foi proposto pelo presidente de honra da escola, o contraventor Luizinho Drummond, muito amigo do carnavalesco. Drummond morreu em julho de 2020, vítima de um acidente vascular cerebral. Mas a escola manteve o enredo, desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães. 

No início da carreira, ela foi subordinada ao próprio Rodrigues. Rosa estreou no universo das escolas de samba em 1971, como figurinista do Salgueiro, na equipe de Arlindo. Dali em diante, Rosa foi parceira e rival do amigo, a quem agora presta homenagem.

A segunda escola a desfilar será a Mangueira, que vai homenagear três ícones da escola. São eles o compositor e fundador Cartola (1908-1980), o intérprete Jamelão (1913-2008) e o mestre-sala Delegado (1921-2012). Reconhecido pelos enredos de cunho social, o carnavalesco Leandro Vieira vai expor as dificuldades do povo negro e pobre até a conquista do reconhecimento em razão de suas artes (o canto, a dança e a poesia, neste caso). Antes do sucesso profissional, esses artistas trabalharam como pedreiro, engraxate, entregador de jornal, apontador de jogo do bicho e fiscal de feira livre.

A terceira agremiação a se apresentar será o Salgueiro. Em seu enredo “Resistência”, a escola vai retratar os lugares do Rio de Janeiro que se tornaram símbolos históricos da cultura negra, como a Praça XI, palco dos primeiros desfiles das escolas de samba, na década de 1930. O morro do Salgueiro (zona norte), sede da escola, também será retratado, porque abrigou um quilombo.

Em seguida, a São Clemente fará homenagem ao ator Paulo Gustavo, que morreu em maio de 2021 vítima de covid-19. A mãe dele, Déa Lúcia Vieira Amaral, inspiradora do monólogo “Minha mãe é uma peça”, criado pelo filho e que inspirou uma série de filmes, vai desfilar na comissão de frente.

A Viradouro vai apresentar o carnaval de 1919 por meio de uma carta de amor escrita por um pierrô a uma colombina na Quarta-Feira de Cinzas daquele ano.

A Beija-Flor será a sexta e última escola a desfilar na primeira noite, com o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. Vai exaltar os negros que não tiveram o reconhecimento merecido, a partir de exemplos de pessoas ligadas à própria escola. São pessoas como Silvestre David da Silva, o Cabana (1924-1986), o diretor de carnaval Laíla (1943-2021) e a porta-bandeira Selminha Sorriso. Ela, aos 50 anos, comemora 30 anos de parceria com o mestre-sala Claudinho. Os dois formam o mais antigo casal de mestre-sala e porta-bandeira em atividade na Sapucaí.

Cada escola tem de uma hora a 70 minutos para desfilar. Cada noite de exibições deve terminar por volta das 5h do dia seguinte. A apuração vai acontecer na terça-feira, 26. As seis escolas com melhores colocações voltarão a se exibir no desfile das campeãs, no sábado, 30.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.