Veja declarações do perito contratado pela defesa dos Nardoni

George Sanguinetti ficou conhecido nacionalmente depois de trabalhar na investigação da morte de PC Farias

da Redação, estadao.com.br

26 de maio de 2008 | 17h11

O médico-legista e perito George Sanguinetti afirmou nesta segunda-feira que os laudos oficiais feitos pelos peritos da Polícia Científica de São Paulo são nulos e mal feitos. O médico contestou causa da morte apresentada pelo Instituto de Criminalística – esganadura. Abaixo, veja as principais declarações do perito, que ficou reconhecido nacionalmente depois de trabalhar na investigação da morte de Paulo Cesar Farias, tesoureiro da campanha do então presidente Fernando Collor de Mello:   OS LAUDOS PERICIAIS   "No meu entendimento, houve a precipitação. Não há prova técnica de que ela tenha sido espancada dentro do apartamento. Essa é a verdade".   "Acho que foi a pressa, o sensacionalismo, a pressão sobre os colegas. Não pode trabalhar apressado, com uma carga horária muito grande. Tem que olhar muito, tem que ver a linguagem: o cadáver fala. É só prestar atenção".   "É comum haver erros. Quando eu critico, é porque tem falhas".   "Esse trabalho que está feito aqui é nulo de direito. É um trabalho medíocre. Os colegas, por favor, corrijam".   "Documentos médico-legais realizados por peritos oficiais, laudos e pareceres médico-legais serão encaminhados ao Ministério Público e ao juiz para que estabeleça o mérito. O juiz terá o poder de dar mérito ao meu trabalho ou de ignorar o meu trabalho".   "O caso não se encerra com esse trabalho. Vamos tentar aprimorar a parte técnica e trazer respostas".   "Quando o perito diz que aquele dado técnico é semelhante a uma fibra, aquilo está invalidado juridicamente. Semelhante é uma palavra que não pode ser usada tecnicamente".   "A dúvida que eu tenho é de onde saiu esse muito sangue que foi encontrado no apartamento. Por onde ela sangrou? Quero saber".   "O perito só atesta o que encontra. O perito não inventa. Por tantas e tantas coisas, esse laudo tem que ser corrigido".   "Tenho certeza que esse caso vai caminhar e vamos chegar a um resultado. Se minha opinião não tiver competência, vou ser responsabilizado por isso. Se tiver, quero uma mudança no estado das coisas".   "Com essa argumentação nossa, o excelentíssimo juiz vai buscar sanar esses defeitos".   "Não encontro na literatura nenhum caso de esganadura com uma mão só. Se interrompo a circulação de um lado só, ela continua do outro lado. Não vim para São Paulo para atacar meus colegas, mas esse laudo não está correto".   "Os peritos esqueceram de correlacionar com lesões que são causadas com manobras de socorro de ressuscitação".   A ESGANADURA   "Em nenhum momento eu atribuí mérito a quem jogou. Até o momento, não tenho nada que culpe ou que isente Alexandre (Nardoni). O que posso dizer é que não houve esganadura e que o laudo traz muito prejuízo ao casal. Não é um laudo isento".   "O que eu posso provar é que não há esganadura, que ela foi realmente jogada através da janela".   A QUEDA   "No meu entendimento, ela estava consciente, ela procurou amortizar a queda. Mas eu não posso provar. E, no que não posso provar, não opino".   "Ela (Isabella) ao cair apresentou uma pequena profusão de língua. Não tem nada a ver com asfixia mecânica".   "Ela foi jogada. Se eu jogo alguém com violência, eu tenho marcas das minhas mãos onde eu peguei. Não há provas científicas de que isso aconteceu. As fraturas não se completaram no interior do apartamento".   NOVA NECROPSIA   "Não há necessidade de uma nova necropsia porque nós concordamos com as fraturas. Não tenho dúvidas de que isso está correto. Do ponto de vista técnico, não caberia mais essa exumação".   A MORTE   "Isabella morreu por trauma craniano".   "Agora, quem a jogou, quem a precipitou, a polícia não fez uma boa investigação no começo".   "Se a carótida estivesse rompida eu não estaria aqui defendendo com tanta intensidade que não houve esganadura".   "Reconheço uma barbaridade e sou daqueles que desejam que os responsáveis pelo que aconteceu com Isabella sejam punidos. Mas defendo também o direito de defesa".

Tudo o que sabemos sobre:
Caso Isabella

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.