NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Veja 10 perguntas e respostas sobre viaduto que cedeu e saiba como evitar o trânsito da região

Não há prazo para liberar o trecho; para especialistas, a reconstrução da estrutura deve levar pelo menos três meses

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2018 | 17h46

Um viaduto cedeu e causou a interdição do trânsito em trecho da pista expressa da Marginal do Pinheiros, perto do Parque Villa-Lobos e da Ponte do Jaguaré, por volta das 3h30 da madrugada de quinta-feira, 15, na zona oeste de São Paulo. Pelo menos cinco carros passavam pela via, mas não houve feridos graves. Não há prazo para liberar o trecho. Para especialistas, a reconstrução da estrutura deve levar pelo menos três meses.

O local do incidente virou até ponto turístico, cenário de muitas 'selfies' tiradas nas proximidades da marginal.

A Prefeitura afirmou fazer vistorias periódicas nos 185 viadutos e pontes da capital, mas disse não ter identificado “riscos estruturais”. A gestão Bruno Covas (PSDB) informou ter aberto no dia 9 edital para projetos de manutenção preventiva de 33 viadutos e pontes classificados como prioritários – o que cedeu nesta quinta não está na lista.

A administração municipal irá se reunir nesta quarta-feira, 21, com motoristas de aplicativos e taxistas para propor ações que diminuam o trânsito na capital após o viaduto da Marginal do Pinheiros ceder e interditar a via expressa.

Nesta terça, Covas oficializou a criação de um comitê de crise para priorizar ações de emergência.  Entre as medidas, está a possibilidade de remanejamento de recursos orçamentários para projetos, ações e iniciativas para manutenção da segurança e estabilidade das pontes e dos viadutos da capital paulista.

Na tentativa de evitar congestionamentos, a Prefeitura de São Pauloliberou nesta segunda-feira, 19, à tarde dois trechos, que somam 10 quilômetros, da pista expressa da Marginal do Pinheiros . Vinte quilômetros da via haviam sido interditados após um viaduto ceder perto do Parque Villa-Lobos e da Ponte do Jaguaré, na zona oeste.

O Município também prevê retirar barreiras, canteiros e passeios para criar pelo menos três novos acessos entre as pistas locais e expressas. No viaduto danificado, os técnicos estão instalando dez estacas para garantir a sustentação da estrutura e buscam o projeto original da obra, que desapareceu, para saber quais medidas tomar.

Entenda o que aconteceu com o viaduto que desabou e veja rotas alternativas para evitar a região:

1. O que ocorreu com o viaduto da Marginal do Pinheiros?

O viaduto cedeu por volta das 3h30 da madrugada de quinta-feira, 15. Ao menos cinco veículos passavam pela via no momento do incidente, mas não houve registro de feridos graves. Segundo a Defesa Civil Estadual, uma das placas que sustentam o viaduto se descolou, provocou um desnível e formou uma espécie de “degrau” de quase dois metros no viaduto. Da noite de domingo, 18, para segunda-feira, 19, o viaduto cedeu mais 5 milímetros. A Prefeitura diz que está tudo sob controle e que monitora a estrutura. 

2. A estrutura pode desabar?

Sim, mas as chances diminuíram em função da instalação de 10 estacas de sustentação na seção do viaduto danificado para sustentá-lo. O secretário municipal de Infraestrutura e Obras, Vitor Aly, chegou a informar na sexta-feira, 16, que havia piorado a situação de estabilidade da estrutura e que havia o risco de desabamento. 

3. Em quanto tempo a situação se normaliza?

Não há prazo determinado, mas especialistas falam que pode durar aproximadamente 3 meses.

4. Quais foram os impactos para a vida do paulistano?

A zona oeste teve um trânsito carregado e transtornos para usuários do trem, mesmo fora do horário de pico. Na sexta-feira, 16, a circulação de trens da linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi interrompida entre as estações Pinheiros e Ceasa às 10 horas desta sexta-feira, quando a Prefeitura também anunciou a suspensão do rodízio municipal de veículos na Marginal do Pinheiros, no sentido da Rodovia Castelo Branco. A suspensão da circulação dos trens foi adotada após pedido da Prefeitura, uma vez que o viaduto que apresentava risco de cair passa sobre os trilhos. No trecho, os usuários tiveram de usar os ônibus do Paese, da SPTrans.

5. Qual é o trecho interditado?

Entre a Ponte do Jaguaré e a Ponte Eusébio Matoso. Os trechos liberados da Marginal são entre as pontes Estaiada e a Eusébio Matoso e entre as pontes João Dias e a Estaiada - a liberação não é contínua. Nesta segunda-feira, 19, a Prefeitura liberou dois trechos, que somam 10 quilômetros, da pista expressa da Marginal do Pinheiros. Vinte quilômetros da via haviam sido interditados após um viaduto ceder.

6. Como vai funcionar o rodízio?

A partir de 21 de novembro, (quarta-feira), está liberado o rodízio municipal de veículos. A suspensão municipal do rodízio será adotada até a liberação total da pista e valerá somente para o trecho da Marginal do Pinheiros entre a Avenida dos Bandeirantes e a Ponte dos Remédios, na região oeste, no sentido Castelo Branco. Desrespeitar o rodízio é infração de trânsito de nível médio, resultando em multa de R$ 130,16 e acréscimo de quatro pontos na carteira de habilitação.

7. Quais são as rotas alternativas?

- Para quem chega à cidade pelas rodovias Anchieta, dos Imigrantes, Régis Bittencourt e Raposo Tavares: Rodoanel Governador Mário Covas e Rodovia Castelo Branco

- Para quem vem do litoral (por exemplo, pela Rodovia dos Imigrantes ​- Santos/São Paulo): ​Acessar à direita na Avenida das Juntas Provisórias e seguir tanto pela Avenida do Estado quanto pela Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Melo

- Sentido Interlagos/ Rodovia Castelo Branco: Pista local da Marginal Pinheiros

- Sentido Rodovia Ayrton Senna ou Ponte dos Remédios: Seguir pelas avenidas Brigadeiro Faria Lima, Pedroso de Morais, Professor Fonseca Rodrigues e Dr. Gastão Vidigal

- Para quem vem do extremo sul da capital para o centro: Seguir pelas avenidas Interlagos, Washington Luís, Moreira Guimarães, Rubem Berta, 23 de Maio, Túnel Anhangabaú e avenida Prestes Maia

- No sentido Santo Amaro: Pegar as avenidas Senador Teotônio Vilela, Atlântica, passar pelo Largo do Socorro e acessar a Avenida Washington Luís em direção a Santo Amaro

8. Quais são as opções de desvio da CET?

- Desvio micro: pista local da Marginal Pinheiros, sentido Interlagos/Castelo Branco.

- Desvio médio: Av. Brigadeiro Faria Lima, Av. Pedroso de Morais, Av. Prof. Fonseca Rodrigues, Av. Dr. Gastão Vidigal onde o motorista pode optar por seguir em frente para a Marginal Tietê sentido Rodovia Ayrton Senna ou acessar em direção à Ponte dos Remédios.

- Desvio macro: Aos motoristas que estão chegando à cidade de São Paulo pelas rodovias Anchieta, dos Imigrantes, Regis Bittencourt e Raposo Tavares com a intenção de acessar a Marginal Tietê, a CET orienta a utilização do Rodoanel Gov. Mário Covas e Rodovia Presidente Castelo Branco.

9. Quais medidas serão tomadas pela Companhia de Engenharia do Tráfego (CET) na Marginal e nas imediações?

- Viaduto Lazlo Braun (próximo ao CDP de Pinheiros): alargamento do acesso  junto ao viaduto, remoção do canteiro central e ampliação de uma para três faixas de rolamento. Essa intervenção permitirá o acesso à Rodovia Castelo Branco.

- Ponte Edson de Godoy Bueno (antiga Ponte Itapaiuna): construção de acesso à pista expressa da Av. Nações Unidas (Marginal Pinheiros). Atualmente, a ponte termina direto na pista local.

- Marginal Pinheiros na altura do Shopping Villa Lobos: alargamento do acesso da pista expressa para a pista local.

- Marginal Pinheiros após a Ponte Cidade Universitária: construção de acesso da pista expressa para a pista local.

- Avenida Fonseca Rodrigues em frente ao Parque Villa Lobos: remoção do estreitamento de pista e da lombada eletrônica existente em ambos os sentidos da avenida, para viabilizar três faixas de rolamento por sentido em frente ao Parque.

- Avenida Antônio Batuíra com Praça Panamericana: será efetuada adequação de geometria viária para melhorar o acesso dos veículos para a Praça.

- Rua Banibas com Av. Pedroso de Morais (próximo à Praça Panamericana): adequação geométrica para melhorar o raio de giro no desvio de tráfego.

- Av. Gastão Vidigal (próximo à Ceagesp): a CET fará uma reunião com a diretoria da Ceagesp para montar uma operação para que caminhões utilizem somente os portões da Av. Gastão Vidigal, com o objetivo de evitar formação de filas de caminhões na pista local na Marginal Pinheiros.

10. Como a Prefeitura de São Paulo tem cuidado da manutenção do viadutos da cidade?

Prefeitura de São Paulo utilizou até quinta-feira, 15, apenas 5% do orçamento inicial para este ano com conservação e manutenção de viadutos e pontes. Enquanto a previsão era de R$ 44,7 milhões, foram gastos R$ 2,4 milhões, segundo dados de execução orçamentária do Município. 

Ao longo do ano, ocorreram diversas mudanças no orçamento. Em outubro, a um mês da queda do viaduto da Marginal do Pinheiros, foram retirados R$ 11,3 milhões da previsão de gastos. Hoje, o orçamento atualizado é de R$ 18,2 milhões, 59,1% inferior ao previsto no início do ano. Em 2017, foram liquidados 1,5 milhões.

Em nota, a gestão Bruno Covas (PSDB) justifica que o orçamento empenhado (gasto autorizado, mas ainda não pago) é maior do que o do ano passado, com aumento de R$ 2,9 milhões para R$ 9,5 milhões. Afirma, ainda, que o Programa de Recuperação de Pontes e Viadutos foi retomado em 2017 após de “ter sido paralisado pela gestão anterior”.

Em fevereiro, o então secretário de Serviços e Obras (hoje da pasta de Subprefeituras), Marcos Penido, enviou documento sobre a situação dos viadutos ao Tribunal de Contas do Município (TCM). Ele respondia a questionamentos feitos pelo órgão sobre um dos editais de projetos de recuperação dessas estruturas. O TCM havia apontado falta de dados técnicos e disse não abranger todos “os serviços necessários e/ou decorrentes das obras.”

No documento, Penido disse que “não havia recursos para arcar com todos os custos”, o que fez a gestão optar por 33 estruturas para serem recuperadas. Ele lembra do que há "fartas notícias a respeito do estado de abandono que se encontram as pontes e viadutos da cidade de São Paulo, com sério risco à população desta cidade".

O edital só foi publicado no último dia 9, após o TCM ter suspendido, no primeiro semestre, outros dois editais com objetivo semelhante. A estrutura que cedeu não estava em nenhuma das listas.

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