Rafael Arbex / ESTADÃO
Rafael Arbex / ESTADÃO

Vazamento paralisa canteiro da Linha 6 do Metrô

Escavações atingiram tanques de combustível de posto desativado na Freguesia; funcionários e pacientes de posto de saúde reclamaram do forte odor

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - O vazamento de uma substância potencialmente tóxica paralisou por um dia um canteiro de obras da Linha 6-Laranja do Metrô, que vai ligar a Brasilândia, na zona norte, à Estação São Joaquim da Linha 1-Azul, no centro. As escavações atingiram tanques de combustível de um posto desativado. Funcionários e pacientes de um Centro Especializado em Reabilitação (CER) da Prefeitura de São Paulo, instalado ao lado do canteiro, se sentiram incomodados com o forte cheiro.

A ocorrência foi registrada em um terreno na Freguesia do Ó, na zona norte, no dia 11 deste mês, mas o caso só veio à tona nos últimos dias. 

O Consórcio Move São Paulo, vencedor da parceria público-privada (PPP) promovida pelo governo do Estado para construir e administrar o ramal, informou que, durante as escavações, houve vazamento de odor proveniente de hidrocarbonetos - combustíveis. 


O local, que fica no número 2.107 da Avenida Santa Marina, servia para abastecer veículos da Subprefeitura de Freguesia do Ó/Vila Brasilândia e também como depósito de pneus inutilizados. A área é imediatamente vizinha do CER, que atende idosos para tratamentos fisioterápicos e neurológicos.

Saúde. Segundo a química Perla Vasconcellos, da Universidade de São Paulo (USP), combustíveis são uma mistura de hidrocarbonetos. “Se perfurou um tanque e tem vazamento no ar, pode fazer mal para a saúde. Mas depende de fatores como concentração no ar, tempo de exposição à substância e condições meteorológicas, como a direção do vento.” Para Perla, o ideal seria a realização de uma medição no local do incidente para saber se há algum risco de contaminação.

Nesta quinta, apenas um alambrado separava o posto médico do ponto de escavação do Metrô. “Às vezes, fica um barulhão aqui, dos operários quebrando o piso”, disse um funcionário, que não quis se identificar. O prédio do CER está a cerca de 15 metros de distância do local escavado, por onde entrarão os dois “tatuzões” que abrirão 15 quilômetros da Linha 6.

Preocupação. A Secretaria Municipal da Saúde informou, em nota, que chegou a pedir ao Consórcio Move São Paulo para que as obras fossem realizadas em horário alternativo ao funcionamento do centro de recuperação da Freguesia do Ó. A pasta afirmou também que não houve pedido de interdição do canteiro de obras. 

De acordo com o consórcio formado por Eco Realty Fundo de Investimentos e Participações (Fip), Odebrecht TransPort, Queiroz Galvão e UTC Engenharia, o problema já foi solucionado. Funcionários do CER disseram nesta quinta que não sentiram mais o forte odor. A Secretaria Municipal da Saúde confirmou, em nota, que os tanques já foram removidos do local.

As obras do consórcio na Freguesia do Ó começaram no início deste mês.

Resposta. O Consórcio Move São Paulo informou, em nota, que, após a constatação do odor, os trabalhadores da obra “interromperam suas atividades imediatamente e acionaram a presença da equipe técnica e de segurança para avaliar a situação”. Segundo o texto, “a emissão de odor na área foi eliminada, as atividades foram retomadas em 24 horas e o processo foi concluído”.

A Secretaria Estadual dos Transporte Metropolitanos informou, também por meio de nota, que “acompanha a execução do contrato da PPP da Linha 6 e monitora os impactos do incidente, que não provocou vítimas ou consequências às obras e aos serviços”.

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