Vazamento no litoral pode ter sido causado por substância desinfetante

Chuva pode ter passado por fissura no contêiner e causado uma reação; 75 pessoas foram atendidas na quinta por causa da fumaça

Lucas Melo, Especial para O Estado

15 de janeiro de 2016 | 16h34

Atualizado às 18h16

GUARUJÁ - O engenheiro da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Enedir Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira, 15, que a possível causa do vazamento de gás ocorrido na área da empresa Local Frio, no distrito de Vicente de Carvalho, foi uma avaria em um dos contêiners que continha dicloroisocianureto de sódio, substância largamente usada como agente de limpeza e desinfetante.

"É possível que a água da chuva tenha passado por uma fissura no contêiner e, em contato com o produto reativo, causado uma reação exotérmica, mas ainda precisamos de mais estudos", disse o engenheiro. Ainda segundo Rodrigues, a Cetesb foi ao Estuário e não constatou nenhuma morte de peixes e outros animais.

Um vazamento de produtos químicos seguido de incêndio atingiu, na tarde de quinta-feira, 14, um terminal de cargas empresarial no Guarujá e espalhou fumaça sobre o litoral sul de São Paulo. O distrito de Vicente de Carvalho ficou isolado pela fumaça e teve pelo menos 600 casas evacuadas. A nuvem chegou à cidade de Santos e paralisou o porto.

O Ministério Público de Guarujá instaurou inquérito civil para averiguar os danos ambientais causados pelo vazamento. Segundo o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Osmair Chamma Júnior, o órgão vem trocando informações com o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) através de ofícios, para apurar futuras responsabilidades.

O MP deu prazo de três dias para que sejam entregues informações sobre o plano de atuação contra vazamento e medidas emergenciais no local, além de ações de isolamento da área vizinha.

Chamma Júnior quer saber também quantas pessoas estão sendo intoxicadas pelo gás e solicitou relatórios a unidades de saúde sobre a situação. Ao Ibama e à Secretaria de Meio Ambiente do Estado, pediu cópias das licenças ambientais para operação da empresa no porto.

A investigação do MP visa a entender também a dinâmica do acidente e detalhes do produto que vazou. O promotor requereu informações, a serem recebidas em 10 dias, sobre o que continha no container, quem era o proprietário da carga e quem era o responsável pela manipulação e transporte do produto.

Já a prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito, ressaltou que, no momento, a prioridade é acabar com o incêndio para depois apontar as causas e os responsáveis.  

Trabalhos. O Corpo de Bombeiros realiza o resfriamento do local para que não ocorram novos vazamentos. Ainda há fumaça no local, que diminui gradativamente.  

Desde a manhã desta sexta, 15, foi adotada uma nova estratégia pelo Corpo de Bombeiros em acerto com a Cetesb, que é o imersão do contêiner em uma carreta com água. A prática vem apresentando resultado satisfatório.

Em Guarujá, 75 pessoas foram atendidas nas três Unidades de Pronto Atendimento (UPA) - Jardim Boa Esperança, Rodoviária e Enseada - em razão da fumaça, mas nenhuma delas com causas graves. Já tem Santos, 26 pessoas receberam atendimento e uma senhora de 72 anos foi internada. 

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