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Vaticano decide investigar bispo de São José do Rio Preto

D. Tomé Ferreira da Silva é suspeito de sacar grandes quantias da conta da diocese para entregar a homem com quem se relacionaria

Chico Siqueira, Especial para o Estado

24 Junho 2015 | 07h05

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O Vaticano instaurou sindicância para apurar denúncias de que o bispo de São José do Rio Preto, no interior paulista, d. Tomé Ferreira da Silva, teria sacado dinheiro da conta da diocese e entregado ao seu motorista, com quem manteria um relacionamento amoroso. 

Na iminência de ser descoberto por manter a relação, o bispo teria sacado “quantia exorbitante” e dado ao motorista para que ele deixasse o cargo e a cidade. O bispo também é acusado de perseguir padres e ser omisso ao não apurar denúncias contra sacerdotes que estariam usando dinheiro da igreja. 

Nesta quinta-feira, 25, d. Tomé deve falar a 120 padres da diocese. Ele nega as acusações. Disse ao Colégio de Consultores da Diocese e a integrantes do Conselho de Presbíteros que são boatos. 

O suposto namorado do bispo teria sido contratado em março de 2013, quando d. Tomé chegou a Rio Preto. Mas o motorista teria trabalhado na diocese só até 30 de agosto do mesmo ano. A troca teria ocorrido porque a diocese não tinha mais necessidade de um motorista.

Papa. O pedido de investigação partiu do papa Francisco à Nunciatura Apostólica em Brasília, que encarregou o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odílio Scherer, de presidir as investigações. Em visita-surpresa a Rio Preto, d. Odílio ouviu d. Tomé, que negou as denúncias. Segundo um padre, o cardeal também conversou com o ex-motorista, o gerente da agência na qual a diocese mantém conta bancária, com padres do Colégio de Consultores e com sacerdotes que denunciaram o bispo. 

O padre disse ainda que o cardeal fez perguntas sobre um abaixo-assinado enviado por fiéis ao Vaticano. Eles pediam a saída do bispo por se omitir a investigar padres que estariam abusando do dinheiro da Igreja e não punir um padre acusado de assediar sexualmente três ex-secretárias de sua paróquia.

Em nota, a assessoria de d. Odílio disse que ele não comentaria o caso, mas que confirma a visita “fraterna e privada” a d. Tomé. “Na ocasião, também conversou com outras pessoas sobre a diocese.”

A reportagem não conseguiu localizar d. Tomé.

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