Varrição das ruas muda, mas SP é suja ou muito suja para 3 em 4 paulistanos

População não percebe efeitos do novo sistema de coleta de lixo, mas acredita em melhora; Prefeitura já anuncia 'evolução' em serviço

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 22h33

Três em cada quatro paulistanos consideram São Paulo uma cidade suja ou muito suja. Pesquisa realizada pelo Instituto Informe, a pedido do Estado, revela que a maioria da população ainda não observou melhora na varrição pública desde o início do novo contrato, em dezembro de 2011, apesar de acreditar na evolução do serviço. O serviço vai custar R$ 2,25 bilhões por três anos de contrato. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos para mais ou para menos.

 

A percepção dos moradores a respeito da conservação das ruas muda de acordo com idade, região, grau de escolaridade e renda. Em todos os grupos, porém, a análise é negativa. No geral, 45,6% dos moradores acham a capital suja e 29,2%, muito suja. Os índices somam 74,8%. Entre os jovens de 16 a 19 anos, a mesma conta alcança 85% - e representa a maior rejeição do modelo de limpeza pública.

 

As opiniões também mudam de acordo com o endereço. Os habitantes da zona norte são os que mais consideram a cidade suja ou muito suja. O resultado da pesquisa mostra que 78,8% pensam dessa maneira, seguidos por 77,7% dos moradores da zona leste e 75,4% do centro. O porcentual cai para 71,6% na zona sul e 67,6% na zona oeste.

 

Na contramão, 7,7% dos entrevistados classificam São Paulo como uma cidade limpa e apenas 2% como muito limpa. Taxa que pode mudar, segundo a própria população. Na média, 54,9% "acredita totalmente" que a nova varrição vai elevar esses índices futuramente.

 

As respostas não surpreendem. "Confirmam a posição sempre crítica do paulistano em relação aos serviços públicos. Mas, no caso da limpeza, também mostram que existe uma grande expectativa de melhora. Talvez porque é um serviço que todos buscam, em qualquer lugar da cidade", afirma o diretor-presidente do Informe, Fabio Gomes.

 

Otimismo. A pesquisa também aponta a zona oeste da capital como a mais "otimista" da cidade. Mais da metade (56,7%) dos moradores da região afirma que já vê melhoras na cidade com o novo modelo de varrição. E 39,2% dos entrevistados responderam que a população ajuda a deixar a cidade menos suja reciclando o lixo, por exemplo - apesar de todos os problemas registrados no programa municipal de coleta seletiva (leia mais abaixo). Na zona norte, só 28,9% pensam dessa forma.

 

O coordenador da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi Pereira, considera o otimismo apontado pela pesquisa entre os moradores da zona oeste como uma resposta aos investimentos aplicados na região. "A Subprefeitura de Pinheiros é a que mais recebe verba para obras de zeladoria. Talvez por isso a população de lá seja a menos descontente da cidade", diz. Mas, segundo ele, as falhas na coleta seletiva podem modificar esse quadro. "O pessimismo em toda a cidade é enorme em relação ao programa, que não consegue reciclar nem 2% do lixo produzido na cidade. A impressão é de que não se recicla nada em São Paulo", afirma Pereira.

 

Para quem mora no centro - e enfrenta constantemente problemas relacionados à limpeza pública, seja por falta de coleta ou abertura dos sacos de lixo -, o novo sistema de varrição é visto com desconfiança. A pesquisa apontou que 17,3% da população "não acredita nem um pouco" que as ruas ficarão mais limpas. É o maior índice de descrença.

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