Paulo Saldaña/Estadão
Paulo Saldaña/Estadão

Vaquinha para recuperar fusca queimado arrecada mais de R$ 7 mil

Valor pode superar R$ 17 mil; grupos rivais divergem sobre autoria das doações

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2014 | 18h53

O dono do fusca incendiado durante protesto contra a Copa do Mundo no último sábado, dia 25, na região central de São Paulo, já recebeu mais de R$ 7 mil de doações de voluntários em sua conta e na conta de sua mulher. O valor recebido pelo serralheiro Itamar Santos, de 55 anos, pode superar R$ 17 mil com a arrecadação de uma vaquinha online, que deve se encerrar até março.

Santos ficou surpreso com o montante das doações e afirmou que ainda não sabe o valor exato que está em sua conta bancária "Nem fui até o banco ver quanto recebi. Quem acompanha mais é a minha mulher, mas está chegando bastante doação", disse. "Fiquei muito feliz, agradeço a todos os doadores, porque tem gente simples, que não tem muita coisa, e que depositou R$ 50 na minha conta. O brasileiro é muito bom. Acho que é muita coisa o que recebi, não mereço tudo isso não."

Com o dinheiro, ele pretende comprar um carro novo, que usará para o trabalho de serralheiro. "Eu vou comprar um carro e está bom demais. Infelizmente não tem mais condição de reformar o fusca, que era muito velhinho. Com o calor do fogo, ele torceu muito. Eu vou pegar os documentos e levá-lo para o ferro velho", afirmou.

Divergências. As doações ao serralheiro causaram discórdia entre dois grupos de doadores. Por um lado, há acusações de motivações políticas e de repúdio a manifestações populares. Por outro, há reclamação de falta de transparência na doação.

O grupo que organiza a campanha "Vaquinha para o dono do fusca incendiado", no site vakinha.com.br, apoiado por movimentos como Anonymous e Black Blocs, disse já ter conseguido arrecadar mais de R$ 5 mil. O valor ainda não foi depositado na conta do serralheiro porque o grupo diz que pretende juntar R$ 10 mil até março e entregar o valor total a Santos. "Apesar da data limite, a campanha vai se encerrar assim que os valores confirmados chegarem à meta", afirmou Mario Lopes, 33, estudante universitário, que criou a página da doação no site.

Já o blogueiro Eduardo Guimarães, de 54 anos, que divulgou em seu blog o número da conta bancária do serralheiro, afirmou que conseguiu arrecadar R$ 7,6 mil, depositados diretamente na conta de Itamar.

Lopes e outros organizadores da vaquinha online afirmam que o blogueiro teve motivações políticas para divulgar a conta do serralheiro e criticam declarações de Guimarães de que os depósitos foram fruto apenas de sua divulgação.

Segundo Lopes, pelo menos três grupos que apoiavam as manifestações se reuniram pelas redes sociais para doar dinheiro ao serralheiro e todos eles divulgaram tanto a conta de Santos quanto de sua mulher. "O Eduardo divulgou apenas a conta do sr. Itamar e um grupo, que reunia mais de 2 mil pessoas (um terceiro grupo, do qual Lopes não fazia parte), sabendo disso, destacou mais a conta da dona Cida. Mas sem promover ‘boicote’ à conta do sr. Itamar", afirmou. Lopes disse ainda que muitas doações passaram a ser feitas por meio do site vakinha.com.br para que Guimarães não assumisse a autoria das doações.

O blogueiro, que critica as manifestações de Black Blocks, diz por sua vez que não teve motivação política para a divulgação da conta. "Foi por solidariedade ao Itamar, que teve seu fusca destruído por causa de anônimos que defendem tacar fogo em tudo", afirma. Segundo ele, falta transparência nas doações que não depositam o dinheiro diretamente na conta de Itamar. "Podem fazer quantas campanhas quiserem, contanto que elas sejam transparentes. Por que acumular dinheiro naquele site, se tem o número da conta do Itamar? Ele vai receber mais rapidamente", afirma. "Teve gente que pegou a conta dele, falou que ia doar e não doou até agora. No vídeo que eu publiquei, Itamar diz que mais de R$ 7 mil foram doados na conta dele e o fusca vale 4 mil no máximo e tudo isso graças à divulgação no meu site, no meu blog e no meu Facebook."

Apesar das discussões, tanto Lopes quanto Guimarães afirmam que estão "felizes" que o objetivo de ajudar o serralheiro esteja sendo atingido com as campanhas de divulgação. Já Itamar disse que está chateado com toda a briga. "Para mim, tudo bem se quiserem me ajudar. Não sou rico para recusar. Se eu soubesse que ia dar briga, eu ia continuar batendo o pé de que não precisava doar nada. Não queria ficar no meio dessa situação. É desagradável, não precisa disso", afirma. "Eu não estava contando com dinheiro nenhum, então o que vier será lucro."

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