Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Vaquinha ajuda moradores do Largo do Paiçandu

Grupo junta dinheiro para pagar hospedagem de pessoas que viviam em prédios interditados após desabamento do dia 1º

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 03h00

SÃO PAULO - No dia 1.º, enquanto o Edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, ardia em chamas por volta de 1h30, um casal de idosos do imóvel vizinho acordou assustado e desceu só de pijamas. Os dois imaginaram que, em poucas horas, quando o incêndio estivesse sob controle, voltariam ao apartamento 14 do prédio na Rua Antônio de Godói, número 52. 

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Às 19 horas daquele dia, porém, a aposentada Irani da Silva, de 82 anos, e o entregador de pães Francisco de Paula Sobrinho, de 58, continuavam na rua, sem saber para onde ir. Ela estava de camisola, sem roupas íntimas, sentada nas escadas da Igreja Santa Ifigênia. Com problemas no joelho e cega de um olho, Irani sentia frio.

“Ela estava com a perna inchada. Ficamos sentados no chão mesmo porque não tínhamos onde sentar”, conta ele. Foi quando algumas pessoas se aproximaram e ofereceram ajuda financeira para hospedá-los em um hotel da região. 

Um grupo de 15 pessoas fez vaquinha para ajudar o casal e outro idoso, de 89 anos. Os participantes contribuíram com valores entre R$ 40 e R$ 100, o que garantiu uma semana de hospedagem em hotéis para os três. 

Desde aquela noite, os dois dormiram em pelo menos três hotéis. As doações ajudaram a mantê-los hospedados até anteontem. Desde então, Irani e Sobrinho estão pagando do próprio bolso. 

A Prefeitura de São Paulo se comprometeu a pagar auxílio-aluguel de R$ 1,2 mil no primeiro mês e R$ 400 nos seguintes. Mas Sobrinho soube desse direito somente após ser informado pelo Estado. Ele também não tem ideia de quando poderá voltar para casa. 

“Vão cuidar primeiro dos coitados, os que tiveram problema com o desabamento. Já liberaram o dinheiro (do auxílio-moradia) para eles. Mas os dias estão passando e já estamos ficando sem dinheiro”, afirma ele. 

Uma das integrantes da rede de solidariedade é a jornalista Nivia Corrêa, de 32 anos, que doou R$ 100. Ela diz ter ficado sensibilizada ao receber a notícia da tragédia, principalmente por ter comprado um apartamento recentemente.

“Para mim foi impactante esse choque de realidade: de eu estar muito feliz com essa conquista, mas de ver que existem pessoas que estavam morando em uma ocupação e, de repente, tudo caiu. O pouco que tinham elas perderam”, conta ela, que considera a ajuda “mínima” diante de toda a tragédia. 

Cadastro. A Prefeitura informou que 103 famílias dos imóveis interditados – são quatro, além da Igreja Luterana – foram cadastradas. “Essas famílias também estão sendo convocadas para retirada do benefício”, disse, em nota. 

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