Vão entre o trem e a plataforma chega a 21 cm

Polícia investiga queda de rapaz na CPTM; companhia alega necessidade de compartilhar via com trens de carga e mudança depende de modernização

Caio do Valle e Clarice Cudischevitch, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h02

Atualizado às 8h15 SÃO PAULO - Um dos pontos levantados pela investigação inicial sobre a morte do estudante Leonardo de Souza Silva, de 15 anos, na Estação Brás, é a distância entre o trem e a plataforma naquela parada. São 15 centímetros, segundo o boletim de ocorrência. Medição feita ontem pela reportagem indicou um vão até maior, de 21 centímetros. O rapaz poderia ter caído por ali. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informou que essa separação é necessária por causa do compartilhamento das vias com os trens de carga, mais largos.

O vão medido pela reportagem por volta das 11h30 de ontem na plataforma 7 da Estação Brás da CPTM é mais que o dobro do tamanho que o localizado na Estação Brás da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), de 9 centímetro. Apesar de a empresa divulgar que o jovem possa ter caído no espaço existente entre dois vagões, mais amplo, a Polícia Civil registrou a hipótese de a queda ter ocorrido no próprio vão.

"Nas portas de acesso dos usuários aos vagões, existe uma pequena plataforma (os estribos) que reduz consideravelmente o espaço entre o trem e a plataforma", revela o histórico do boletim de ocorrência. A CPTM informou por meio de nota que há um "projeto do governo federal para implementação do ferroanel, que consiste na construção de vias exclusivas" para trens de carga na cidade. Isso evitaria que essas composições tivessem de utilizar as linhas da empresa. Consequentemente, a distância dos vãos entre os trens e as plataformas poderia ser reduzida, ampliando a segurança dos passageiros que embarcam ou desembarcam.

A CPTM também disse que "está realizando investimentos de grande monta na modernização de toda sua infraestrutura e renovação da frota" e que "estão sendo implementados novos sistemas de sinalização e controle de tráfego, telecomunicações, energia, rede aérea, além da via permanente (trilhos)". A compra de novas composições e a conclusão da modernização da infraestrutura deverá reduzir os intervalos entre os trens, ampliando até mesmo a oferta de lugares.

Portas de plataforma. Para o pai da vítima, a instalação de portas de plataformas nas estações da CPTM poderia evitar novas quedas como a de seu filho, independentemente do motivo. "Seria a melhor solução, a melhor forma para evitar acidentes", disse Francisco Maizo Fernandes da Silva, de 40 anos.

A doméstica Nilza Léa Vieira, de 50 anos, usa a Linha 12-Safira diariamente. Ela também defende a instalação de portas de plataforma nas estações mais cheias. "Como as que existem na Linha 2-Verde do Metrô." Já o técnico em contabilidade Johnny de Carvalho, de 23 anos, acredita que as quedas poderiam ser evitadas se houvesse mais educação por parte dos passageiros na hora de entrar no trem. "Principalmente nos horários de pico, quando o trem chega, as pessoas de fora, que estão cansadas e querendo ir sentadas, empurram todo mundo que está na frente para entrar."

A CPTM afirmou que, na hora da queda de Silva, a plataforma 7 do Brás apresentava "condições normais para o embarque". A empresa foi questionada, mas não informou quantas mortes foram registradas por quedas acidentais de usuários nos trilhos no ano passado e nos primeiros meses de 2013.

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