Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Vândalos invadem casarão histórico

Solar dos Abacaxis, no Rio, teve louças destruídas

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2011 | 00h00

Vândalos invadiram e quebraram parte da louça do Solar dos Abacaxis, um casarão tombado, construído há 168 anos no bairro do Cosme Velho, na zona sul do Rio.

Segundo donos do solar - que recebeu esse apelido graças às esculturas de ferro no formato da fruta em suas sacadas -, nada foi roubado. O grupo teria arrombado o portão e três portas. O cadeado que trancava o portão foi totalmente destruído. O principal alvo do grupo foram pias e bidês de três dos banheiros, destruídos a marretadas. Vizinhos acreditam que os vândalos aproveitaram a ausência do vigia, que se aposentou recentemente e ainda não foi substituído. Testemunhas dizem que a casa foi invadida por usuários de drogas.

Protegido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o imóvel pertenceu a Marcos Carneiro de Mendonça, primeiro goleiro da seleção brasileira de futebol e atleta do Fluminense, além de historiador e escritor. Filha de Mendonça, a crítica de teatro Barbara Heliodora afirmou ter ficado abalada com a depredação. "Estou tão deprimida que não gosto nem de falar no assunto", limitou-se a dizer.

Saraus. O casarão de estilo neoclássico tem mil metros quadrados, com cinco salões, sete quartos, porão e sótão. Os abacaxis de ferro, fabricados no interior de Minas Gerais, seriam um sinal de hospitalidade e de boas-vindas, segundo a tradição de índios americanos.

Nos tempos áureos, o imóvel abrigou saraus e eventos da sociedade carioca, com a presença de nomes como o jornalista Assis Chateaubriand, o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o poeta Carlos Drummond de Andrade e as atrizes Fernanda Montenegro e Tônia Carrero.

A família de Marcos Carneiro de Mendonça vem tentando vender o casarão há 11 anos - ele já chegou a ser oferecido por R$ 4 milhões, mas atualmente está avaliado em R$ 2 milhões. Localizado na região do Largo do Boticário, o solar fica ao lado de imóveis históricos que também passaram por depredações nos últimos anos. Duas casas, que estavam vazias, chegaram a ser ocupadas por famílias de sem-teto por quase dois anos.

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