Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Vândalos destroem 21 estátuas do Araçá

Cemitério foi invadido por 30 pessoas; vendedores de flores chamaram guardas

LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2014 | 02h02

O Cemitério do Araçá, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, sofreu, na madrugada de ontem, o maior ataque de vandalismo desde a sua fundação, em 1887. Foram derrubadas e quebradas 21 estátuas de bronze e de mármore - para muitas delas, o restauro é impossível. Segundo testemunhas, a ação foi feita por 30 pessoas, que usavam trajes punk e fugiram pulando as grades do portão principal.

A Guarda Civil Municipal (GCM) atendeu a um chamado de funcionários e de comerciantes de floriculturas, que notaram movimentação intensa no lugar por volta das 4h. Ninguém ainda foi identificado, já que não há câmeras no cemitério.

De acordo com testemunhas, o grupo fez muito barulho entre as sepulturas enquanto brincava de "carrinho de batida ou bate-bate" com os carros elétricos usados para transportar caixões. Dois veículos ficaram amassados.

O serviço funerário ainda não calculou o prejuízo causado pelos arruaceiros. Os vândalos seguiram para as sepulturas ao redor da capela central, uma construção da década de 1890, que também foi arrombada e danificada. No pequeno templo, um balcão de mármore com a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora ficou aos pedaços. Os banheiros dos fundos foram destruídos e mesas mortuárias que seriam entregues a um museu tiveram adornos arrancados.

A administração do cemitério não sabe o valor das obras danificadas, já que muitas foram trazidas por familiares de imigrantes italianos, judeus e libaneses. Para ela, apesar da falta de tradição de arte tumular no País, as obras do Araçá têm valor inestimável. Mesmo assim, não são tombadas.

Em toda a cidade, apenas 97 sepulturas, no Cemitério da Consolação, foram tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), porque os jazigos são de personalidades ilustres.

Segurança. Por não ter vigilância permanente e seus muros não ultrapassarem 1,80 metro, o Cemitério do Araçá tem sido alvo de furtos nos últimos anos.

De abril a novembro, foram registrados 23 boletins de ocorrências de furtos. Os crimes diminuíram quando um receptador foi preso em um galpão em Santa Cecília, no centro, em novembro. "Nós fizemos uma campana na frente do cemitério para chegar até ele", disse o delegado do 23.º Distrito Policial (Perdizes), Percival de Alcântara Júnior.

Apesar da pilhagem de lápides, os atos de vandalismos não são comuns no Araçá. O último havia sido registrado em 3 de novembro, quando o ossário geral foi depredado após uma homenagem aos restos de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar abrigados no local. Até agora, a polícia não localizou os culpados.

"É normal entrarem góticos; eles vêm todas as noites. Falta fiscalização", afirma o floricultor Raimundo Pereira. Segundo funcionários do cemitério, até andarilhos dormem nas sepulturas. Procurada, a guarda municipal não se manifestou.

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