Vandalismo suspende apuração em SP; carros são queimados e Marginal, fechada

Membros da Casa Verde, Vai-Vai, Camisa e Gaviões invadiram área onde notas eram anunciadas, destruíram votos e iniciaram tumulto

O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h03

O carnaval paulistano assistiu ontem a um dos episódios mais vergonhosos de sua história, com a apuração dos votos interrompida no último quesito por causa de uma invasão generalizada de membros da Império de Casa Verde, Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Gaviões da Fiel. Votos dos jurados foram rasgados e jogados para o alto, dando início a uma confusão que incluiu brigas, incêndio em carros alegóricos que estavam no estacionamento do Anhembi, invasão de pista da Marginal do Tietê e inúmeras cenas de vandalismo.

A confusão estragou o anúncio da escola campeã - até as 20h, não havia anúncio oficial sobre a vencedora e membros da Liga Independente das Escolas de Samba de SP ainda procuravam cédulas de votação no lixo. O que sobrou dos papéis foi levado para perícia. Pelo regulamento, a classificação no momento da interrupção seria mantida - assim, a Mocidade Alegre seria a campeã, com 160 pontos. O regulamento diz ainda que poderá ser expulsa da liga a escola que tiver qualquer membro com comportamento inadequado.

Tudo começou quando as duas últimas notas da Comissão de Frente estavam sendo lidas. Tiago Ciro Tadeu Faria, integrante da escola Império de Casa Verde, aproveitou uma confusão criada pelo presidente da Vai-Vai, Darly Silva, e pulou a grade que separa os integrantes das escolas do palco da apuração. Ele chegou a chutar o locutor, roubou os votos, rasgou as cédulas e guardou dentro da calça. A escola estava até então em 11.º lugar.

Na hora, ele não foi abordado pela polícia, mas acabou detido depois e encaminhado para a Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), no Anhembi.

O vice-presidente da Império, Paulo Ferreira, afirmou que Faria não é diretor da escola.

Com a invasão, outros integrantes da Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Gaviões da Fiel também pularam a grade e começaram a chutar a estrutura do palco e os troféus. A polícia interveio, tentou proteger os locutores e jurados, mas o caos já estava instalado. Com mais de duas mil pessoas na arquibancada, a torcida da Gaviões da Fiel jogou pedaços de paus, pedras e outros objetos no palco. Dezenas de outros membros de escolas de samba também invadiram o local.

Mais tumulto. A Tropa de Choque da Polícia Militar retirou então os torcedores da Gaviões da arquibancada, mas era apenas o início de mais cenas de vandalismo - eles fecharam a pista local da Marginal do Tietê e ameaçaram jogar cercas metálicas nos carros que passavam pela pista central da via. Os vândalos ainda atearam fogo a carros alegóricos que estavam no estacionamento do Anhembi - o segundo e o quinto carros da Pérola Negra foram queimados. Quatro carros dos bombeiros controlaram o incêndio cerca de 15 minutos depois.

No caminho entre o sambódromo e a quadra da Gaviões da Fiel, no Bom Retiro, região central de São Paulo, torcedores ainda chegaram a brigar e a quebrar retrovisores de carros. Segundo a Polícia Civil, pelo menos dois invasores foram presos - Tiago Ciro Faria, de 29 anos, da Império de Casa Verde, e Cauê Santos Ferreira, de 20, da Gaviões da Fiel.

Além dos dois jovens que foram detidos por invadir a área da apuração, mais três pessoas foram presas também pelo tumulto e por porte de entorpecente. O major Alexandre Gasparian, da Tropa de Choque da PM, negou que tenha havido falha na ação policial. Ele afirmou ainda que o efetivo da tropa era de 152 homens, suficiente para lidar com os torcedores das escolas de samba - neste ano, além de Gaviões (Corinthians) e Mancha Verde (Palmeiras), havia os torcedores da Dragões da Real (do São Paulo). O delegado da Deatur, Oswaldo Nico Gonçalves, também defendeu a ação e disse que a polícia agiu rápido. / DIEGO ZANCHETTA, BRUNO RIBEIRO, RODRIGO BRANCATELLI e WILLIAM CARDOSO

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