Vandalismo suspende apuração em SP; carros são queimados e 10 vão presos

Membros da Casa Verde, Vai-Vai, Camisa e Gaviões invadiram área onde notas eram anunciadas, destruíram votos e iniciaram tumulto

O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h01

O carnaval paulistano assistiu ontem a um dos episódios mais vergonhosos de sua história, com a apuração dos votos interrompida no último quesito por causa de uma invasão generalizada de membros da Império de Casa Verde, Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Gaviões da Fiel. Votos dos jurados foram rasgados e jogados para o alto, dando início a uma confusão que incluiu brigas, incêndio em carros alegóricos que estavam no estacionamento do Anhembi, invasão de pista da Marginal do Tietê e inúmeras cenas de vandalismo. Dez foram presos.

A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo anunciou a campeã do carnaval só às 22h45, dando o campeonato para a Mocidade Alegre, que vencia na contagem de votos antes do início da confusão, com 160 pontos. A Rosas de Ouro ficou em segundo lugar. Pérola Negra e Camisa Verde e Branco foram rebaixadas. Não havia, às 23h30, definição sobre punições às escolas que iniciaram o tumulto.

Tudo começou quando as duas últimas notas da Comissão de Frente estavam sendo lidas. Tiago Ciro Tadeu Faria, de 29 anos, integrante da Império de Casa Verde, aproveitou uma confusão criada pelo presidente da Vai-Vai, Darly Silva, e pulou a grade que separa os integrantes das escolas do palco da apuração.

Ele chegou a chutar o locutor, roubou os votos, rasgou as cédulas e guardou dentro da calça. Cédulas foram retiradas do lixo. O que sobrou dos papéis foi levado para perícia. A escola estava até então em 11.º lugar.

Faria foi detido e encaminhado para a Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur) e, de lá, para o 2.º DP e indiciado por dano ao patrimônio público e supressão de documentos.

Com a invasão, outros integrantes da Vai-Vai, Camisa Verde e Branco e Gaviões da Fiel também pularam a grade e começaram a chutar a estrutura do palco e destruir os troféus. A polícia interveio, tentou proteger os locutores e jurados, mas o caos já estava instalado. Com mais de duas mil pessoas na arquibancada, a torcida da Gaviões jogou pedaços de paus, pedras e outros objetos no palco. Dezenas de outros membros de escola também invadiram o local.

Mais tumulto. A Tropa de Choque da Polícia Militar retirou então os torcedores da Gaviões da arquibancada, mas era apenas o início de mais cenas de vandalismo - eles invadiram a pista local da Marginal do Tietê e ameaçaram jogar cercas metálicas nos carros que passavam pela pista central da via. Os vândalos ainda atearam fogo a carros alegóricos que estavam no estacionamento do Anhembi - o segundo e o quinto carros da Pérola Negra foram queimados. Os bombeiros controlaram o incêndio cerca de 15 minutos depois, com a ajuda dos integrantes da escola. O vice-presidente da Gaviões, Wagner da Costa, disse que vai analisar se foram membros da torcida que atearam fogo aos carros, para discutir alguma forma de compensar a Pérola Negra.

No caminho até a quadra da Gaviões, no Bom Retiro, torcedores ainda brigaram e quebraram retrovisores de carros. O trânsito ficou complicado na região e interdições pontuais tiveram de ser feitas na Marginal do Tietê. Às 18h, a Avenida Rudge também foi interditada para a passagem dos torcedores, nos dois sentidos, nas proximidades da Ponte da Casa Verde.

Furto. Além de Faria, da Império, Cauê Santos Ferreira, de 20 anos, da Gaviões, e mais três pessoas foram presos por causa do tumulto e por porte de entorpecente.

À noite, cinco integrantes da Rosas de Ouro foram presos acusados de tentar furtar o troféu do 5.º colocado do Grupo Especial. Em nota divulgada à noite, a Prefeitura pediu a "punição dos responsáveis". /

DIEGO ZANCHETTA, BRUNO RIBEIRO, RODRIGO BRANCATELLI e

WILLIAM CARDOSO

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