Vandalismo deve ser punido com mão forte

No recente episódio de ocupação e desocupação da reitoria da Universidade de São Paulo, ocorreu um crime inafiançável: a depredação da sede do Instituto de Estudos Avançados (IEA), que não pertence à Reitoria e está provisoriamente no prédio. Mas, ainda assim, foi objeto de uma das mais indevidas e abjetas ocupações pseudo-universitárias de que se tem notícia no último meio século.

ANÁLISE: Carlos Guilherme Motta, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2013 | 02h03

Na segunda e nos dias seguintes, fomos tomando ciência do que ocorrera no fim de semana na Reitoria, quando recebemos fotos e depoimentos que davam conta da barbárie. Ou seja, da depredação brutal e boçal da sede do IEA, após invasão indevida e festim descabido até o dia nascer.

Manifestações estudantis, e também de funcionários e professores, sempre fizeram parte da vida universitária. No compasso das manifestações sociais de insatisfação com os rumos da República, adquire-se novos contornos, inclusive com black blocs.

Não se pode conceber que o movimento estudantil tenha permitido transbordamentos inconfessáveis, com depredação de instalações, levando de roldão arquivos, computadores, documentos, pesquisas, arrombando portas, pichando e até furando paredes, estragando material de cuidadosas reuniões, em fase de publicação. O prejuízo é incalculável; crime, nem mais nem menos.

O que se quis com a barbarização? Protestar contra o reitor? Contra o processo eleitoral? O problema tornou-se mais sério e grave. Dirijo-me à banda não podre do alunado, que deve assumir responsabilidades. Como é espaço coletivo, com equipamento caro e memória pelos quais temos de zelar, apuraremos as responsabilidades pelo vandalismo boçal. E efetuaremos punições com mão forte, até o fim, para o que contamos com os poderes constituídos, que andaram fraquejando demais, e com o firme apoio da comunidade científico-cultural.

*Carlos Guilherme Motta é professor da USP e ex-diretor do IEA.

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