'Vamos pro bang?' era senha para arrastões

A quadrilha que aterrorizou clientes de restaurantes em Higienópolis, na região central da capital, e nos Jardins, zona sul, se reunia antes dos arrastões em churrascos e cervejadas perto das Ruas dos Estudantes, Conde de Sarzedas e Oscar Cintra Godinho, no Glicério, também na região central. O convite "Vamos pro bang?" era a senha que separava a diversão do crime.

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h05

Até 20 ladrões, maiores e menores de idade, participavam dos encontros. Nem todos seguiam para o assalto. Para quem quisesse, bastava entrar em um dos carros e seguir com o bando. Parte dos veículos era comprada de outros criminosos que agem na zona leste da capital. Um dos carros foi trocado por três celulares e mais R$ 500.

A escolha do alvo era aleatória. Eles passavam na frente de um restaurante, checavam as condições de segurança e, se considerassem fácil, invadiam.

No dia 12, foram detidos Diego de Godoy, de 23 anos, que emprestava as armas e armazenava os produtos roubados, e um adolescente de 16 anos. Segundo policiais, eles representam 70% do poder de fogo da quadrilha.

Líder. "Sangue nos olhos" e "cheio de apetite". Assim é descrito por policiais o adolescente de 16 anos que era responsável pela parte "operacional" do bando. Didi, como é conhecido, era quem dava o grito nos restaurantes e provocava o terror psicológico nos clientes.

Parte da família dele está presa. O pai por homicídio e a mãe, desde fevereiro, por tráfico. Até ser apreendido no Dia dos Namorados, o adolescente cuidava do irmão, de 1 ano e 5 meses. Outra criança está a caminho da vida dele: a namorada está grávida.

Didi e seus amigos agem em uma área que foi o berço de um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, de 44 anos, preso em Presidente Bernardes, começou no crime como trombadinha no Glicério.

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