'Vamos priorizar o bem-estar das crianças'

Entrevista com Renata Coelho Okida, juíza da 1ª Vara da Família do Butantã

O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2014 | 02h03

Qual é a sua opinião sobre o projeto de lei que regulamenta a guarda compartilhada?

Para aplicar a guarda compartilhada é requisito básico a existência de respeito mútuo entre os pais, diálogo e uma convivência pacífica. O que eu vi na justificativa é que, se há a beligerância, a guarda compartilhada seria a solução. Eu acho complicado na prática. O que vejo muito são pais que se comunicam somente por e-mail ou por mensagem de texto e querem pedir a guarda compartilhada. Acredito que, para ser aplicada, (a guarda) tem de atender aos interesses da criança. O que está se prevendo (no projeto) é impor (a guarda compartilhada).

Se aprovada, essa medida vai beneficiar os pais ou os filhos?

Depende de como se desenvolve o convívio entre os pais. Pode ser muito saudável. Não é porque o casal se separou que a família deixou de existir. O vínculo existe e a criança representa essa ligação. Se conseguirem conduzir dessa forma, excelente, porque ambos vão participar da rotina e das obrigações. Pode ser um estímulo para os pais participarem das decisões no exercício do poder parental.

A definição de quem vai ficar com a guarda dos filhos será mais difícil para os juízes se a lei for sancionada?

Não, porque vamos continuar priorizando o bem-estar das crianças. Vamos tomar a decisão que for melhor para elas. Quando envolve guarda do menor, somos bem cautelosos, e a gente vai tomar a decisão que preserve ao máximo os direitos da criança. / P.F.

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