Valor da Chácara não cobre dívida do Jockey

Justiça determina que terreno vale R$ 98 milhões; clube tem dívida de R$ 133 milhões de IPTU para Prefeitura de São Paulo

Felipe Resk e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 22h39

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça-feira, 4, que o valor determinado pela Justiça para desapropriação da Chácara do Jockey, na zona oeste da capital, foi estipulado em R$ 98 milhões. “O juiz arbitrou e ficou aquém da dívida (de R$ 133 milhões) do clube com a Prefeitura”, afirmou. “Não vamos ter de desembolsar nada adicionalmente para ter a posse da chácara e devemos começar as obras para abri-la o mais rápido possível.”

Depois de três meses de negociações com o Jockey Club e de uma ação judicial, a Prefeitura informou, no dia 2 de outubro, que a desapropriação do terreno havia sido autorizada e a Chácara seria transformada em um parque municipal. Dono do espaço, o Jockey aceitou negociar o valor da desapropriação em troca de um abatimento na dívida do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que é estimada em R$ 133 milhões. Inicialmente, a proposta da Prefeitura era de pagar R$ 63,9 milhões, o que o presidente do clube, Eduardo da Rocha Azevedo, considerou como um valor “ridículo”.

Os R$ 98 milhões decididos pela Justiça também foram contestados por Azevedo. “Nós vamos recorrer, queremos receber o que o terreno realmente vale”, disse o presidente do clube. Segundo ele, um perito contratado há cerca de dois anos pelo Jockey avaliou o terreno em R$ 180 milhões.

Abertura. Para abrir à população, o local ainda passará por reformas. Haddad disse que a principal obra prevista é a substituição do muro existente por grades de parque. “Mas o local já está em condição de uso para caminhada e exercício físico, não vai exigir grande investimento”, ressaltou.

Com 140 mil metros quadrados, a Chácara do Jockey é usada hoje como escolinha de futebol e palco para shows. A área também passará a abrigar projetos culturais e de entretenimento. “Já reservei as cocheiras para um programa cultural, porque acho que podem ser ateliês, estúdios”, afirmou o prefeito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.