Vale até não cumprir 100% da meta

Mecanismo anticobrança permite a Haddad contabilizar etapas de obra; prefeito colocou ainda promessa de campanha só como objetivo

O Estado de S.Paulo

27 Março 2013 | 02h05

O novo plano de metas já nasce com "mecanismos anticobrança", que podem servir para diminuir a pressão sobre o prefeito Fernando Haddad (PT) no fim de seu mandato. Várias metas apresentadas ontem, por exemplo, detalham todos os passos necessários para se chegar ao objetivo final. Assim, cada passo será contabilizado na avaliação final - e uma meta renderá um porcentual mesmo que não chegue a 100% de cumprimento. Além disso, algumas promessas de campanha foram transformadas em "objetivos" e não fazem parte do grupo de cem metas.

No ano passado, o PT foi um dos principais críticos da execução final do plano de metas proposto pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). Apesar de apenas 55,1% das metas terem sido completamente cumpridas, Kassab havia afirmado que o plano teve 81% de "eficácia".

Ontem, Haddad adotou discurso similar. "Eu acho que o modelo binário (no qual metas parcialmente cumpridas não são contabilizadas) não é o mais adequado. Eu acho pouco sofisticado", disse. Após um repórter afirmar que metas parcialmente cumpridas não deveriam ser consideradas, ele discordou. "É por isso que tem um comitê, que não é composto por jornalistas, é composto por pessoas da sociedade, para poder diferir de você."

Na meta 74, por exemplo, Haddad promete "projetar, licitar, licenciar, garantir a fonte de financiamento e construir 150 quilômetros de corredores de ônibus". Dessa maneira, em caso de cumprimento parcial da meta, Haddad deve contabilizar um porcentual. "Se você entrega 75 km de corredores e mais 30 km em execução e o restante aprovado e licenciado, quanto da meta de 150 quilômetros foi realizada?", questionou o prefeito.

A transformação de promessas de campanha em objetivos não em metas, que obrigatoriamente têm de ser cumpridas, também foi polêmica. É o caso da criação de 150 mil novas vagas em creches, por exemplo. A secretária de Planejamento, Leda Paulani, também afirmou que podem haver mudanças. "A gente também acha que não podemos ficar sob uma ditadura da meta", disse. "Existe a previsão de uma repactuação periódica dessas metas", disse.

Cobrança. A administração também promete utilizar um software para cobrar os responsáveis pelas metas. "Se você não receber uma ligação do prefeito, um SMS vai te lembrar que você não está cumprindo uma meta", disse o secretário municipal de Relações Internacionais e Federativas, Leonardo Barchini Rosa.

O programa de computador também permitirá a criação de detalhados relatórios de acompanhamento das metas. Ontem também foi feita a primeira reunião de conselheiros da sociedade civil, com personalidades como o ex-piloto Emerson Fittipaldi, o diretor de teatro José Celso Martinez e a empresária Luiza Trajano. /ADRIANA FERRAZ, ARTUR RODRIGUES e RODRIGO BURGARELLI

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