Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Vai comprar bacalhau? Cuidado com as imitações

Especialistas alertam para outros peixes salgados, de menor preço e qualidade, que são vendidos como ''legítimos'' nesta época do ano

Márcio Pinho e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

A Páscoa se aproxima e o consumidor tem de estar atento para não ser enganado na hora de comprar um dos produtos mais típicos da época: o bacalhau. Um grupo de pesquisas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu que vários outros peixes salgados, de menor qualidade e preço, são vendidos como se fossem bacalhau em mercados de São Paulo. Até mesmo disfarçados entre uma lasca e outra nas bandejas.

Segundo a engenheira química especializada em Ciência de Alimentos e coordenadora do grupo, Lea Sant"Ana, a mistura de pedaços de peixes salgados, como Ling, Zarbo e Saithe, é muito comum. Assim como o bacalhau, eles passam por um processo industrial que os deixa salgados. O legítimo bacalhau, porém, é do gênero Gadus (veja as diferenças ao lado). E o popularmente conhecido bacalhau do Porto (Gadus mohrua) é tido como o mais nobre.

Os estudos sobre o assunto na Unesp começaram em 2000. Iniciada no ano passado, uma das pesquisas do grupo comprovou em testes de laboratório que metade das cerca de 40 amostras vendidas em lascas em bandejas não era de bacalhau. Mas todas eram vendidas como se fossem "legítimas". Visitando supermercados, pesquisadores detectaram ainda que os outros peixes salgados são vendidos como "tipo de bacalhau", mas não são.

O chef do restaurante A Bela Sintra, Valderi Gomes, diz que o problema é conhecido por quem trabalha na área. O próprio restaurante já teve de mandar encomendas de volta ao distribuidor ao perceber que não havia recebido bacalhau verdadeiro. A dica dada por Gomes é reparar no rabo do peixe, que tem ponta mais comprida do que a das imitações. Detalhe que, quando o peixe é vendido em lascas, fica impossível constatar. "Percebemos na hora do preparo. Ele não é tão gostoso quanto o bacalhau tradicional. Para o consumidor leigo, é mais difícil perceber."

No bolso. A irregularidade na venda do bacalhau se reflete no bolso do consumidor, que acaba levando para casa "gato por lebre". Segundo a advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Mariana Ferreira Alves, a venda de outros peixes no lugar do bacalhau desrespeita o Código de Defesa de Consumidor de diversas formas. Pode ser considerada, por exemplo, uma prática abusiva, já que se aproveita da falta de conhecimento técnico do cliente. Também pode configurar publicidade enganosa, uma vez que geralmente tem encartes informativos.

O Estado percorreu ontem alguns supermercados e constatou diferença de até R$ 15 no quilo dos diferentes tipos de peixe salgado. Na Alameda Santos, nos Jardins, por exemplo, o quilo do bacalhau do Porto é vendido por R$ 32,90. Já o do Zarbo e do Saithe custam, respectivamente, R$ 23 e R$ 19,50. Na Saúde, o quilo do Saithe sai a R$ 17,90, do Zarbo a R$ 18,90, do Porto a R$ 29,90 e do Imperial a R$ 31,90. Na Casa Verde, preços variam entre R$ 29 e R$ 35.

Ovos mais caros

Os ovos de Páscoa neste ano estão em média 20% mais caros do que em 2010, segundo pesquisa feita pelo Idec.

À LAGAREIRO*

Ingredientes

Posta de 250 g., passada em ovos e farinha de rosca

2 batatas médias com casca (ao murro)

1 cebola cortada em meia-lua

2 dentes de alho laminados

300 ml de azeite de oliva

2 pés de brócolis

1 tomate sem pele e caroço

Modo de Preparo

Na frigideira, dourar a posta em azeite de oliva. Em seguida, refogar a cebola e colocá-la em cima do peixe. O próximo passo é levar o bacalhau ao forno por 20 minutos com todos os ingredientes dispostos pela bandeja. Depois de assado, basta montar o prato e servir.

* Receita do chef Valderi Gomes, do A Bela Sintra

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