Vai a júri popular casal acusado de espancar filha até a morte em Itapetininiga

Juiz acatou a denúncia da promotoria de que, além de homicídio com quatro qualificadoras, houve também crimes de tortura, cárcere privado e adulteração de provas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 10h23

SOROCABA - O casal Phelipe Douglas Alves e Débora Rolim de Moura, acusado de espancar até a morte a filha Emanuelly Aghata da Silva, de cinco anos, em março deste ano, em Itapetininga, interior de São Paulo, será julgado por homicídio qualificado pelo tribunal do júri. A decisão foi dada na noite desta segunda-feira, 18, pelo juiz Alfredo Gehring, da Vara Criminal, depois de ouvir os acusados e testemunhas do crime.    

O juiz acatou a denúncia da promotoria de que, além de homicídio com quatro qualificadoras, houve também crimes de tortura, cárcere privado e adulteração de provas. Os advogados que defendem os dois acusados anunciaram que vão recorrer da decisão. 

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O caso chegou à polícia quando Emanuelly perdeu os sentidos em casa, na região central da cidade, e foi levada ao hospital. Os pais alegaram que a criança havia sofrido uma queda e uma convulsão, mas os médicos desconfiaram das múltiplas lesões. A investigação apurou que a criança foi agredida de forma violenta pelo pai e que as agressões eram sistemáticas.    

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Ouvido, Phelipe confirmou que batia na filha com o pretexto de educá-la. No interrogatório, acabou admitindo que, numa das surras, a menina sangrou pela boca. Em outra ocasião, ele a agrediu na cabeça com uma boneca que chegou a quebrar.  

Já a mãe negou participação nas agressões, mas o juiz entendeu que ela nada fez em defesa da filha. Ela foi considerada cúmplice das agressões sofridas pela menina. Durante a audiência, o juiz ouviu também 33 testemunhas. Os depoimentos confirmaram os maus tratos. O casal, que teve a prisão preventiva decretada, vai aguardar o julgamento na prisão, em penitenciárias de Tremembé. A data será definida após o julgamento dos recursos.

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