WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Vaga de carro deve dar lugar a VUC no centro de São Paulo

Objetivo da Prefeitura é facilitar descarga de caminhões; horário de veículos nas Marginais do Tietê e do Pinheiros foi ampliado

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo estuda reduzir a quantidade de vagas de carros no centro da capital, em áreas de intensa atividade comercial, para dar mais espaço à descarga de pequenos caminhões. A medida faz parte da nova política de mobilidade da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), que dará prioridade ao transporte de cargas.

Nesta quarta-feira, 27, em portaria publicada no Diário Oficial da Cidade, a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) autorizou a circulação de veículos urbanos de carga (VUCs) mais compridos na cidade e ampliou em até duas horas – em algumas vias – o tráfego de caminhões. As mudanças passam a valer no dia 9. 

Nas pistas local e expressa da Marginal do Pinheiros, no trecho entre as Pontes do Jaguaré e Morumbi, a restrição passa a ser das 5 horas às 21 horas – antes, os caminhões não podiam circular entre 4 e 22 horas de segunda a sexta. O mesmo vai se aplicar em toda a extensão das Avenidas dos Bandeirantes, Affonso D’Escragnolle Taunay e Jornalista Roberto Marinho. 

Já na Marginal do Tietê, os caminhões ganharam uma hora, podendo trafegar a partir das 21 horas. Segundo estimativas da SMT, 160 mil caminhões circulam diariamente nas Marginais do Pinheiros e Tietê. Na capital, há 61 mil cadastrados.

“O transporte de mercadoria é um serviço essencial e de utilidade pública na cidade. Esse setor estava sendo deixado de lado”, explica o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. A medida tem apoio do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp). “Estamos trabalhando a quatro mãos com a Prefeitura”, afirma o presidente, Tayguara Helou.

Centro. Os testes nas vagas no centro, segundo Tatto, teriam início por ruas adjacentes à Praça da República e à Rua Santa Ifigênia. Para o engenheiro e mestre em transportes Sérgio Ejzenberg, haverá prejuízo ao comércio local. “A proposta facilita carga e descarga, mas afugenta o cliente. Qual é o benefício que vem para o comércio?”

Já o consultor de trânsito e também mestre em transportes Horácio Ferreira defende o projeto municipal e sugere avanços. “Cada quadra poderia ter uma baia no meio do quarteirão reservada para o VUC e sujeita a guincho. A entrega de carga urbana é igual ao transporte coletivo porque beneficia muitos ao mesmo tempo.”

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também estuda proibir a circulação de carros no Viaduto do Chá, na região central. O projeto só permitiria o trânsito de pedestres e ciclistas, além de ônibus e táxis. Outra mudança analisada é a velocidade máxima, que pode cair de 40 km/h para 30 km/h. Na última semana, a CET fez testes na região para avaliar as possibilidades. 

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