Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Vacinação oficial de cães deve ficar para o fim do ano

Após mortes e suspensão da campanha em 2010, ministério redobra análise das doses; traumatizados, donos buscam serviço particular

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 00h00

Agosto entrou na segunda quinzena sem que haja uma data marcada para a vacinação antirrábica pública. Depois dos episódios de reações adversas de animais que tomaram a vacina no ano passado, o Ministério da Saúde decidiu mexer no cronograma deste ano, para que análises mais completas sejam feitas antes da distribuição das doses.

Por causa do trauma de 2010 e do medo de esperar demais, os donos de cães e gatos têm se antecipado e procurado hospitais veterinários ou pet shops para vacinar os bichos. E o preço pode chegar a R$ 50.

Inicialmente, a previsão era de que a remessa de doses chegasse aos postos públicos em setembro, mas o ministério já admite que a vacinação pode ocorrer somente no fim do ano.

Em 2010, a campanha chegou a ser suspensa depois de mais de 2 mil registros de reações adversas em cães e gatos que haviam sido imunizados. Em nota, a Assessoria de Imprensa do ministério afirma que a pasta "definiu com o laboratório responsável pelo fornecimento da vacina antirrábica para cães e gatos - o Tecpar - a realização de novas análises laboratoriais desta vacina. Esses novos testes provocaram atrasos em relação ao cronograma de entrega".

O atraso não é visto com preocupação pelas autoridades de São Paulo, porque o Estado não apresenta casos de raiva humana transmitida por cães desde janeiro de 1997 e casos de transmissão de cachorro para cachorro desde 1998. "O que norteia a política de vacinação é o risco epidemiológico e, hoje, o risco de uma epidemia de raiva é mínimo", diz Enrico Lippi Ortolani, professor titular da Faculdade de Veterinária da USP.

O Ministério da Saúde escolheu como prioritários na vacinação 11 Estados - Maranhão, Ceará, Pernambuco, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Alagoas, Sergipe e Mato Grosso do Sul - onde houve casos de raiva nos últimos três anos. São Paulo está incluído na fase seguinte, com os demais Estados.

Temor. A repercussão dos episódios de reação adversa à vacina no ano passado deixou os donos dos bichos assustados. A artesã Lenita Wasem, por exemplo, imuniza Teca, uma vira-lata de 8 meses, somente na veterinária. "Nunca levei em vacinação pública, por causa do que aconteceu em 2010 e porque eu morei em Aracaju e lá teve coisa parecida", lembra.

Como agosto é conhecido como "mês do cachorro louco" e a demanda naturalmente aumenta, alguns estabelecimentos aproveitam para fazer promoções. "Neste mês, a vacina cai de R$ 50 para R$ 25", diz a atendente do Hospital Santa Inês, na zona norte da capital. Na zona leste, o canil Camasi também cobra R$ 25. "Os clientes estão com medo, preferem nosso serviço", diz Simei Regina, sócia do canil.

Já Amélia Margarida de Oliveira, veterinária e coordenadora do projeto Veterinários na Estrada, ficou tão chocada ao atender oito animais mortos em sua clínica na crise do ano passado que, neste ano, preferiu agir por conta própria. Comprou 5 mil doses importadas e, com mais sete clínicas, está vendendo doses a R$ 15, no Ipiranga. "As vacinas usadas na campanha no ano passado eram de péssima qualidade", lembra. "Foi um absurdo dar aquilo a uma população que tem tanto carinho por seus animais."

PERGUNTAS & RESPOSTAS

Doses devem ter registro

1. Há um risco de epidemia de raiva canina em SP?

O risco existe, mas é baixíssimo e seria mais provável se um animal contaminado fosse trazido para cá. Hoje, os casos de raiva em seres humanos são mais comumente transmitidos por morcegos. Do ponto de vista epidemiológico, é um quadro de risco muito baixo.

2. É recomendável levar os animais para vacinar em estabelecimentos particulares?

A recomendação mais comum é de que seja seguido o calendário de vacinação de acordo com a idade do animal. "Mas, como o atraso da vacinação pública deve ser pequeno, não vejo motivo para correria ou pressa para vacinar", diz o veterinário Enrico Lippi Ortolani, da USP.

3. As vacinas vendidas em pet shops e hospitais veterinários são seguras?

Toda vacina legalizada é registrada e, antes de ser comercializada, é testada em laboratórios oficiais do Ministério da Agricultura. Por isso, é importante verificar se o produto leva o registro do ministério.

4. O que fazer em caso de mordida ou arranhão de cães e gatos?

Lave o ferimento com água e sabão e procure orientação médica. Se o cão ou gato for de algum conhecido, observe o animal por dez dias. Caso contrário, procure o Centro de Controle de Zoonoses, nos telefones 3397-8900 ou 3397-8955.

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