Usuários movem ação contra fim de linhas

Moradores da Penha querem a reativação de itinerários extintos na reorganização da rede

CAIO DO VALLE, LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h03

Revoltados com o fim repentino de uma antiga linha de ônibus, moradores da Penha, na zona leste da capital paulista, entraram com uma ação civil pública na Justiça para obrigar a São Paulo Transporte (SPTrans) a reativar o serviço. Um processo de mudança e extinção de itinerários foi colocado em prática pela gestão Fernando Haddad (PT) nas últimas semanas, o que tem pego milhares de passageiros de surpresa na cidade. Só hoje, mais 16 linhas na zona leste vão deixar de operar.

Dados da Secretaria Municipal dos Transportes revelam que neste ano quase 80 linhas de ônibus foram canceladas pela Prefeitura - o número exato ainda está sendo calculado pela SPTrans. Uma delas, a 702P-10 (Terminal Penha-Pinheiros), foi o motivo de briga judicial. O ramal parou de funcionar em 14 de setembro.

"E essa era uma linha que existia havia décadas. Ela ajudava bastante as pessoas da zona leste, que tinham a facilidade de ir até a Avenida Paulista e zona oeste com um ônibus só", diz a dona de casa Marcia Regina Arruda Lopes, de 59 anos, presidente da Associação dos Moradores do Jardim Jaú e Adjacências, entidade que propôs a ação três semanas atrás.

De acordo com ela, além de ter acabado com o itinerário, a Prefeitura não informou os passageiros adequadamente. "Poderiam pelo menos ter consultado os usuários para ver se eles aprovavam o fim dessa linha."

Com a remoção desse ramal, os passageiros agora precisam fazer uma baldeação no Terminal Parque Dom Pedro 2.º e pegar outro ônibus para seguir rumo à zona oeste, ampliando o tempo de viagem.

Além da 702P-10, os moradores da região da Penha solicitam na Justiça o retorno do serviço expresso, nos horários de pico, da linha 390E-10 (Term. Penha-Term. Pq. D. Pedro 2.º). Eram ônibus que iam sem paradas do primeiro ao segundo terminal, das 5h30 às 7h45 e, no sentido inverso, das 17h às 19h.

"Esse serviço era muito útil, pois ligava os moradores de um bairro afastado ao centro", informa o texto da ação. "Nem uma audiência pública foi feita para ouvir a população sobre o que acha das mudanças. Foi uma decisão administrativa imposta aos usuários", diz o advogado Sérgio Pinto de Almeida, que representa o grupo.

Na semana passada, o promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes havia se comprometido a questionar a SPTrans sobre um problema parecido na região de José Bonifácio, também na zona leste (leia ao lado). Ele não foi encontrado ontem para comentar o caso da Penha.

Abrigos. Outra reclamação dos moradores da Penha diz respeito a abrigos de ônibus na Avenida Cangaíba. Em setembro, nove coberturas foram removidas sem serem substituídas até hoje. "As pessoas estão esperando os ônibus ao relento", diz Almeida. A São Paulo Obras (SPObras) informou em nota que eles serão trocados por novos abrigos cobertos, mas não informou quando.

Por sua vez, a SPTrans informou que a reestruturação de linhas "irá melhorar o desempenho operacional do sistema" e que no médio e longo prazo, os passageiros "terão mais opções de trajeto e menor tempo de deslocamento". Sobre a linha 309E-10, disse que ela continua existindo, mas não comentou sobre o serviço expresso.

Hoje, 16 linhas da zona leste deixam de rodar definitivamente em bairros como Vila Jacuí e Vila Nova Curuçá. A relação está no site www.sptrans.com.br.

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