Usuários de parque desconheciam tumba

Revelação de múmia surpreende frequentadores do Parque da Independência

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h02

SÃO PAULO - Alheios à presença da cripta do imperador Dom Pedro I no enorme monumento às margens do Córrego do Ipiranga, na zona sul, os frequentadores do Parque da Independência, onde fica o mausoléu, se mostraram surpresos ontem com a notícia de que havia ali até uma múmia. 

"Nossa história é uma história mal contada. Como morador do bairro, já vim aqui várias vezes, mas nunca ouvi falar disso (a múmia de Dona Amélia). É muito bacana", disse o corretor de imóveis Benedito Jorge da Silva, de 63 anos, que passeou pelo parque ontem com mulher e neto. Ele disse saber que Dom Pedro I estava enterrado lá e afirmou que o País dá pouca importância para a própria história.

Prova disso é o estado de conservação do monumento: estátuas de metal manchadas, espadas (até mesmo a de Dom Pedro) sem lâminas, cheiro de urina ao redor do mausoléu.

A administradora Juliana Canteiro, de 31 anos, que costuma passear no Independência com os cães, nem sabia que o monumento guardava os restos do imperador e de suas mulheres. "Não sabia disso, não, e nunca visitei o monumento", afirmou.

O analista de sistemas Leandro Oliveira, de 38 anos, disse acreditar que o monumento servia apenas como marco do local onde o grito de independência foi dado - o que, de fato, também é. "Nossa, isso (as descobertas) é muito interessante", disse.

Desdém. Já a tatuadora Carla Galvão, de 39 anos, uma dos dezenas de skatistas que frequentam o parque diariamente, mostrou-se empolgada com a revelação arqueológica, mas deixou claro o desdém de parte dos usuários em relação à tumba do imperador. "A única coisa que o pessoal se preocupa aqui é que o banheiro (do parque) não está funcionando faz tempo", brinca - o que explica o mau cheiro ao redor do mausoléu da família real. 

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