Laura Maia de Castro/Estadão
Laura Maia de Castro/Estadão

Usuários da Cracolândia têm aula inaugural de jardinagem

O curso, que terá duração de dois meses, apresentará noções de paisagismo, plantio de jardins, produção de mudas e compostagem

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2014 | 12h24

SÃO PAULO - Usuários de crack que fazem parte do programa "De Braços Abertos" tiveram, na manhã desta segunda-feira, 14, a aula inaugural do projeto Fábrica Verde, que tem como objetivo qualificá-los para trabalhar com jardinagem. Os beneficiários receberam um novo uniforme e foram apresentados à ideia do projeto pelo secretário municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo Artur Henrique.

Para Francisco Nazareno, de 41 anos, que afirma estar sem fumar crack há dois meses, o projeto vai ser um boa chance para se qualificar. "Para alguém que assim como eu quer aprender, trabalhar e sair daqui vai ser uma grande oportunidade", disse.

O curso tem a duração de dois meses, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h, totalizando 160 horas. Aos 27 usuários que fizeram a inscrição voluntária, serão oferecidas noções de paisagismo, plantio de jardins, produção de mudas e compostagem. São duas horas de aulas teóricas que acontecerão no Largo Coração de Jesus, em Campos Elísios e duas horas de aulas práticas no Complexo Prates, no Bom Retiro, região central da cidade.

Os participantes do programa que optaram por esse trabalho não atuarão mais na varrição das ruas e vão continuar recebendo os R$15 por dia - pagos toda sexta-feira.

"A nossa esperança é que alguns deles, demonstrem, com suas habilidades, que podem partir para uma outra etapa de autonomia econômica, de constituir uma cooperativa e vender os produtos que eles mesmos vão plantar", disse o secretário Artur Henrique.

Cursos de inclusão digital e Eco Artesanato também estão previstos para começar na segunda quinzena de abril. Eles serão oferecidos na parte da tarde tanto para quem estiver trabalhando na Fábrica Verde ou trabalhando na varrição.

Confusão. Logo no início da aula, um usuário que não se inscreveu no projeto invadiu a sala gritando e bateu no rosto da mulher com a qual é casado há pelo menos 15 anos. Funcionários do programa e outros usuários conseguiram contê-lo depois de alguns minutos, mas ele continuou gritando e foi posto para fora do local.

Segundo a mulher agredida, que não quis se identificar, ele ficou com ciúmes por ela ter se inscrito em um novo trabalho e, por isso, veio agredi-la. "Ele continua na varrição com o uniforme azul e agora eu me inscrevi para esse novo trabalho. Ele ficou com ciúmes", contou ela enquanto mostrava o óculos que fazia parte do uniforme quebrado. "Esses óculos me salvaram", completou.

Segundo a técnica social Zilka Dias, o usuário é conhecido por ficar agressivo quando está em abstinência. "A própria mulher que costuma acalmá-lo quando ele está assim", disse.

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