Eliaria Andrade/Estadão
Eliaria Andrade/Estadão

Usuários aprovam a primeira noite de ônibus de madrugada

Frota de 151 itinerários entrou em operação; repórter acompanhou as rotas mais usadas pelos ‘baladeiros’

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

28 Fevereiro 2015 | 10h46

SÃO PAULO -  “Pode entrar, mas vem aqui me ensinar o caminho.” Foi desta forma que o motorista de ônibus Clodoaldo José da Silva, de 40 anos, abordou o Estado dentro de uma das linhas da madrugada da Prefeitura.

A frota de 151 itinerários entrou em operação na noite deste sábado, 28. O motorista teve a ajuda tanto da reportagem quanto dos primeiros passageiros da linha Terminal Parque Dom Pedro/Terminal Pinheiros, que passa pela Rua Augusta e atende uma das principais reivindicações dos usuários de ônibus que querem aproveitar a balada: não ter que “dormir”na rua para esperar os ônibus começarem a rodar às 4h.

A partir de agora, a cidade conta diariamente com linhas da 0h às 4h, com intervalos de 15 e 30 minutos. Apesar do problema pontual no ônibus dirigido por Silva, o público aprovou o serviço e foi surpreendido pela pontualidade das linhas. “Eu acho ótimo. Ninguém merece ter que ficar na rua até de manhã esperando ônibus e Metrô. Se a balada estiver ruim, posso sair e ir direto para a minha casa”, afirmou a estudante Tamires Ruiz, de 19 anos. Ela e a professora Viviane Santana, de 28 anos, saíram da Penha, na zona leste, na noite de sexta-feira, 27, chegaram ao Terminal Parque Dom Pedro e seguiram para a Rua Augusta.

No mesmo ônibus, a cantora de rap Isabela Almeida, de 23 anos, agradecia ao motorista e a cobradora pelo serviço. Ela estava voltando de uma gravação em Osasco. Se não fosse a linha noturna, ela teria que esperar o dia amanhecer. “Eu vou muito para os extremos da cidade para cantar. O problema sempre é voltar para casa. Geralmente eu tenho que passar a madrugada na rua esperando a normalização do transporte”, explicou Isabela, que mora da Praça Roosevelt, na região central.

Já a assistente administrativa Thaís Barbosa, de 21 anos, disse que já teve de voltar à pé da balada até a sua residência, no Ipiranga. “Quando eu for sair, não preciso mais depender do Metrô para chegar na balada. Posso sair mais tarde de casa, de ônibus, e voltar a hora que eu quiser.”

Na Vila Madalena, na zona oeste, o garçom Eduardo Rodrigues, de 30 anos, conseguiu pegar um ônibus com destino ao Sacomã, sem ter de esperar mais de uma hora pelas poucas linhas que ainda circulam durante a madrugada. “Eu moro na região da Avenida Paulista, que é relativamente perto. Teve dias em que eu demorei três horas para chegar em casa. Nós, que trabalhamos na noite, já desejávamos isso há muito tempo”, contou.

O bairro de bares e restaurantes também foi o destino do artista plástico Leonardo Vilela, de 27 anos. Morador da Freguesia do Ó, na zona norte, ele costumava sair antes das 23h de casa com destino à Vila Madalena. Para chegar até a região, Vilela pagava R$ 60 de táxi até a Avenida Paulista e de lá pegava o Metrô. “Sempre achei um absurdo não ter ônibus durante a madrugada. Essa história de que São Paulo funciona 24 horas até então era um mito.”

Na mesma noite, os estudantes Felipe Doles, de 21 anos, e Marcello Costa, de 20 anos, pegaram duas linhas da madrugada. Uma para sair da Rua Augusta e chegar no Terminal Pinheiros e outra para ir até o Terminal Santo Amaro, na zona sul.

Ele costumava pegar um táxi até a estação Butantã, da Linha 4-Amarela, esperava a estação abrir para poder embarcar, pegar um trem e chegar até sua casa. “Ficou bem melhor. Posso voltar para casa a hora que quiser e não fico refém do Metrô e da CPTM.”

Os passageiros ouvidos estão dentro do perfil esperado pela Prefeitura. “Principalmente pessoas que procuram atividades de lazer e trabalhadores. Temos um público de trabalhadores muito grande que sai de madrugada e precisa ficar esperando uma hora para pegar o coletivo. Ele às vezes pegava o ônibus e, quando chegava em um extremo da cidade, não tinha o transporte local. Agora ele vai ter o conforto e a confiança de fazer isso”, explicou o secretário adjunto de Transportes, José Evaldo Gonçalo. Ele acredita que o público da noite paulista irá usar menos os táxis e os carros de passeio.

Segundo a diretora de planejamento da São Paulo Transporte (SPTrans), Ana Odila de Paiva Souza, a expectativa da Prefeitura é que 20 mil pessoas utilizem diariamente o transporte da madrugada. O número, segundo ela, pode aumentar. De acordo com a SPTrans, um programa piloto realizado em 12 linhas que já existiam e passaram e ter uma frequência maior entre a meia-noite e às 4h, tiveram aumento de 43%.

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