Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

USP terá ''pelotão universitário'' com policiais alunos

Em protocolo enviado ao governo, universidade pediu, além do apoio da PM, um grupo na Polícia Civil especializado no câmpus

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

A Polícia Militar vai criar uma unidade de policiamento especializada no público universitário. PMs que cursam graduação e pós-graduação na Universidade de São Paulo devem participar do treinamento do novo pelotão e serão destacados para policiar a Cidade Universitária. Para a corporação, eles entendem "melhor o que pensam os universitários" e podem ajudar a adaptar o policiamento comunitário ao ambiente da USP.

Além do reforço na atuação da PM, a ampliação da presença da Polícia Civil no câmpus do Butantã, na zona oeste, está entre os pedidos da USP à Secretaria de Segurança Pública. A proposta é que a Polícia Civil crie um destacamento especializado na investigação de crimes dentro da universidade. Essa é uma das solicitações encaminhadas pela reitoria ao governo do Estado, que faz parte de protocolo de cooperação definido após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, assassinado no câmpus no dia 18.

A PM ainda aguarda a análise do protocolo pela SSP, mas entre as medidas de policiamento ostensivo a serem adotadas está a instalação de pelo menos uma base móvel no câmpus e policiamento com bicicletas durante os fins de semana. A maior presença da Polícia Civil, na visão da reitoria, servirá para combater quadrilhas especializadas em crimes na Cidade Universitária.

Alunos PMs. Duas reuniões foram realizadas no Comando de Policiamento da Capital para discutir a adaptação do atendimento da Polícia Militar Comunitária à USP. Além da participação dos PMs universitários, a corporação vai realizar pesquisa na Cidade Universitária, com a ajuda de ONGs que atuam no câmpus, para entender o que os estudantes esperam da presença policial na Cidade Universitária.

"Precisamos adaptar a filosofia de polícia comunitária a um público que não tem o mesmo sentimento de pertencimento ao local que existe entre moradores de um bairro", disse o coronel Marcos Roberto Chaves, comandante do Policiamento da capital. "Temos de saber o que esse público espera da polícia. Policiais que estudam na USP (muitos mestrandos ou doutorandos em cursos de ciências humanas) convivem diariamente com os estudantes e essa experiência será útil à parceria. Eles entendem o que os universitários pensam."

O plano da PM se adequa ao entendimento da reitoria da USP: para a cúpula da universidade, o importante agora é colocar ações de longo prazo no papel, para que no futuro haja um "destacamento comunitário universitário", com ações específicas para cada área da universidade.

Monitorado. Como medida de segurança interna, a USP vai registrar placas de veículos e gravar imagens dos motoristas que passarem pelas portarias. A compra dos equipamentos foi autorizada pela reitoria. As passagens de pedestres também serão monitoradas por câmeras.

O efetivo da Guarda Universitária deve ser aumentado: atualmente, são 106 agentes, com 58 atuando em patrulhas - a intenção é que 30 homens a mais desempenhem a tarefa. Um novo sistema de iluminação só deve ficar pronto em nove meses. / COLABOROU LUÍSA ALCALDE

CRONOLOGIA

Morte de aluno chocou o País

18 de maio

O crime. O estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, é morto por um assaltante no estacionamento da FEA-USP.

19 de maio

Protestos. Alunos da USP organizam protestos cobrando melhoria na segurança e defendendo a entrada da PM no câmpus no Butantã.

20 de maio

Autorização. Em reunião de emergência, o Conselho Gestor da USP autoriza a Polícia Militar a entrar no câmpus para fazer o policiamento. De 40 conselheiros, apenas dois votam contra a medida.

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