JOÃO MOURA/PHOTOPRESS
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USP terá de pagar R$ 394 mil à família de doutoranda morta em São Carlos

Gisele Aparecida Braz de Lima tinha 30 anos quando foi atingida por um galho na lanchonete do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, no câmpus do interior paulista

Rene Moreira, Especial para O Estado

10 de agosto de 2015 | 17h07

A Justiça condenou a Universidade de São Paulo (USP) a pagar uma indenização de R$ 394 mil à família de Gisele Aparecida Braz de Lima, morta em 2013 aos 30 anos. Ela foi atingida pelo galho de uma árvore quando tomava um lanche ao lado de colegas em uma lanchonete do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), no campus de São Carlos (SP).

Na decisão, proferida em primeira instância, o juiz Daniel Felipe Scherer Borborema citou laudos que indicam a falta de cuidados com as árvores por parte da USP. Para ele, "podas e supressão de árvores de forma correta seria hábil a impedir o evento". A universidade, que pretende recorrer, alegou, por sua vez, que na semana do acidente ventou muito e choveu, o que pode ter contribuído para a queda de galhos.

A jovem fazia doutorado e estava em mesinhas de concreto que existem debaixo das árvores. Gisele era natural da cidade de Igaraçu do Tietê (SP), aonde reside a sua família. "Dinheiro nenhum paga uma vida humana", disse Janete Finato Braz de Lima, nesta segunda-feira, 10, ao Estado.

Ela contou que a família vai conversar com o advogado para resolver se recorrerá para aumentar o valor da indenização e ter direito à pensão, que foi negada. Segundo a mãe, o mais importante é que a decisão sirva de lição para evitar outras tragédias no campus. "Um lugar onde circula 8 mil pessoas, a maioria jovens, não pode ser tratado assim", afirmou.

Cuidados. De acordo com ela, laudos indicaram que o galho tinha problemas e ameaçava cair sobre as pessoas. Janete contou que a filha estava com a tese de doutorado já pronta e que seria apresentada em poucos meses. "Mas aí aconteceu aquilo e interrompeu uma vida. Não desejo para ninguém o que passei."

A família também pedia uma pensão de mais de R$ 9 mil por mês, mas esta solicitação foi negada. 

Procurada, a USP encaminhou uma nota à reportagem, informando que "já tomou conhecimento da decisão, que cabe recurso em instância superior".

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