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USP tem nova denúncia de estupro; sindicância será aberta só em fevereiro

O caso chegou a ser divulgado em abril deste ano pelo Jornal do Câmpus, produzido por alunos da instituição, mas não houve apuração à época;

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 18h32

A diretoria da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP vai abrir sindicância para apurar um caso de estupro ocorrido com uma aluna no ano passado, em uma festa de alunos em república em Pirassununga, interior de São Paulo. O grupo começará os trabalhos de apuração só em fevereiro de 2015, por causa do encerramento do ano letivo.

O caso chegou a ser divulgado em abril deste ano pelo Jornal do Câmpus, produzido por alunos da instituição, mas não houve apuração à época. A aluna afirmou à diretoria na capital que a denúncia tinha sido feita na prefeitura do campus de Pirassununga. O diretor da FMVZ, Enrico Lippi Ortolani, afirmou ao Estado que não foi comunicado sobre o episódio e só agora recebeu o pedido da estudante, que faz veterinária, para que haja investigação. "Tive uma reunião com um grupo de alunos e a própria aluna.  Eu perguntei se ela queria que abrisse uma sindicância, porque isto é uma exposição da pessoa. Assim que ela concordou, imediatamente nós tomamos uma atitude", disse. 

A jovem afirmou na reunião que foi estuprada por um aluno de outra unidade - a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA)- em julho de 2013. Ela estava alcoolizada e tinha ido descansar em um dos quartos, onde dormiu. O rapaz a teria seguido e insistido para que tivessem uma relação sexual, o que foi negado pela jovem. O rapaz teria iniciado o abuso enquanto ela dormia. Quando notou, a estudante o empurrou, mas não conseguiu evitar o estupro. A aluna relatou ao diretor da FMVZ que registrou boletim de ocorrência, mas foi ignorada pela diretoria da FZEA.

"Ela fez a denúncia para pessoas de lá, não para mim". O diretor assumiu, no entanto, que chegou a ler a notícia do Jornal do Câmpus, mas que só agora foi procurado pela aluna. "Às vezes você vai abrir a sindicância e a pessoa não quer ser exposta", justificou. 

Assim como na  Faculdade de Medicina (FMUSP), que já recebeu duas denúncias de casos de estupro durante festas de estudantes - fato que motivou investigação do Ministério Público Estadual (MPE) e a criação de uma CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a FMVZ quer criar um dispositivo de apuração de todos os casos de violência sexual. "Estamos mantendo um canal (com a aluna) e vamos criar uma comissão de direitos humanos aqui na escola para apurar outras possíveis irregularidades", afirmou o diretor. 

Até às 19h, a diretoria da FZEA não foi encontrada para comentar o caso.

Carta. O reitor da USP, Marco Antonio Zago, emitiu um comunicado anteontem que responsabiliza os diretores das unidades pela realização do processo de sindicância nos casos de violações de direitos humanos. O texto foi encaminhado a todos os gestores. No documento, são postas diretrizes de como proceder nestes casos.  Todos os episódios devem ser comunicados à Comissão de Direitos Humanos da USP, que a partir de agora deverá centralizar os relatos. Comissão de Ética, Ouvidoria e Superintendência também repassarão as queixas. 

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