USP quer cobrar taxa de grupos de atletas por treino no câmpus

 

Luísa Alcalde e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2010 | 00h00

 

Procura. USP chega a receber 12 mil atletas aos sábados

 

      Profissionais de corrida que usam a Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP) para treinar em grupo estarão sujeitos a pagar pelo uso do local a partir do ano que vem. Os valores ainda não foram definidos, mas a medida faz parte de um pacote preparado para disciplinar o uso do local, na zona oeste da capital paulista. A instituição também estuda cobrar taxa de estacionamento de pessoas de fora do câmpus.

A cobrança para atletas está sendo discutida com a Associação de Treinadores de Corridas de São Paulo (ATC). A proposta, elaborada pelo Fórum Permanente sobre Espaço Público, será encaminhada entre outubro e dezembro ao Conselho Gestor da USP para apreciação, segundo Cristina Guarnieri, da Divisão de Relações Institucionais da Coordenadoria do Câmpus da Capital (Cocesp). "Nossa intenção não é proibir nada. Essa taxa diz respeito apenas a grupos de corredores. É preciso haver ordem, senão vira bagunça."

Levantamento da USP apontou que cerca de 120 profissionais treinam, em média, 120 alunos cada, levando aproximadamente 12 mil corredores, principalmente aos sábados, à USP.

Martha Dallari, vice-presidente da ATC, diz não ser contra o pagamento da taxa, mas afirmou que a entidade encaminhou à USP propostas para contribuir de outras formas com a universidade pelo uso do câmpus. Uma delas é o recolhimento do lixo para ser reciclado e usado no mobiliário urbano.

Dono da assessoria Topnotch, o treinador Douglas Melo também não é contra a cobrança, mas sugere que a verba seja revertida para a instalação de banheiros químicos e ambulância para atendimento dos atletas.

A arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo, vê com ressalvas a cobrança para treinadores de atletas. "Essa área é pública. Teve um investimento enorme da sociedade para ser uma das maiores universidades do mundo. Se o cidadão usa algum prédio, pode até ser cobrado. Mas na rua, não."

Quanto à cobrança de estacionamento, Cristina diz que não há consenso. "Muita gente deixa o carro para trabalhar ou estudar fora. Precisamos discutir como resolver isso."

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