USP: mantida a ocupação da Reitoria

Conversas para a saída pacífica não avançam e expira o prazo judicial para desocupação; Polícia Militar está autorizada a agir

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2011 | 03h01

Em assembleia realizada na noite de ontem, estudantes que ocupam desde a última terça-feira o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, por aclamação, manter a invasão. No sábado, a Justiça determinou que eles deveriam sair até ontem, às 23 horas. Caso contrário, a polícia seria autorizada a fazer a reintegração de posse do prédio.

Cerca de 400 estudantes participaram da assembleia. Eles também rejeitaram, por aclamação, proposta da Reitoria que se comprometia a não punir alunos e funcionários que sofrem processos administrativos por causa da ocupação atual e de greves anteriores caso saíssem do prédio. E já marcaram uma concentração na frente da Reitoria para hoje à tarde.

O movimento de invasão teve ontem a adesão de estudantes do curso de Letras e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Hoje, representantes da Física e da Matemática vão votar se aderem ao movimento. Uma nova assembleia está marcada para amanhã.

"Saímos descontentes com a proposta da Reitoria. Quase não houve mudanças em relação à última reunião", disse Rafael Alves, um dos representantes dos alunos, que reivindicam a saída da Polícia Militar do câmpus. "Caso haja violência contra os estudantes por parte da PM, o único responsável será o reitor."

Ao contrário do que afirmam os alunos que ocupam o prédio, o professor Wanderley Messias da Costa, diretor de Relações Institucionais da Reitoria, afirmou que a USP cedeu em relação à proposta feita no último sábado.

Naquele dia, o compromisso da Reitoria, de acordo com o professor Costa, era apenas que fosse criado um grupo de trabalho para rever os processos de funcionários e estudantes - não a "absolvição" nos processos. Para ele, a mudança representa uma evolução nas negociações.

Os representantes da USP, que dariam a negociação por encerrada no fim do prazo fixado pela Justiça, também confirmaram a disposição de criar um outro grupo de trabalho misto - com representantes de funcionários e estudantes - para rever os procedimentos da Polícia Militar na USP. "Mas está fora de cogitação a retirada da PM", afirmou Costa, fazendo coro ao reitor João Grandino Rodas.

Na assembleia da última quinta-feira, os estudantes votaram que só deixariam a Reitoria caso três pontos do movimento fossem contemplados: a retirada da PM, a revogação do acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e a revogação dos processos contra funcionários e trabalhadores.

Reintegração de posse. A Polícia Militar recebeu na tarde de ontem um pedido da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9.ª Vara da Fazenda Pública, para que a polícia se mobilizasse para uma eventual reintegração de posse do prédio da Reitoria.

"Vamos mobilizar as tropas, mas não significa que a polícia vá entrar assim que o prazo das 23h vencer", afirmou, na tarde de ontem, o coronel Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM. "Vamos estudar o melhor momento e ainda temos esperança de uma solução pacífica. Legalmente, a reintegração de posse pode ser feita em qualquer horário", disse.

Ontem, alunos faziam panfletagem para divulgar o calendário do movimento. Hoje, às 14h, passeata partirá da frente da Reitoria ocupada. Amanhã, está marcada uma assembleia no local.

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