USP: Justiça adia uso da força contra ocupantes

Novo prazo acaba amanhã às 23h; Reitoria vai religar água e internet no prédio invadido

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2011 | 03h01

Os estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) que ocupam a reitoria ganharam mais 54 horas antes de a direção da instituição ter o direito de chamar a Polícia Militar para retirá-los à força. O acordo que prolonga a ocupação até as 23 horas de amanhã foi definido ontem em uma reunião na 9ª Vara da Fazenda Pública entre os representantes dos ocupantes e os da reitoria.

 

A reitoria se comprometeu ainda a religar água, luz e internet no prédio. Já os estudantes deverão limpá-lo e consertar os eventuais danos causados. Por fim, a reitoria concordou em não punir administrativamente os alunos que compareceram na audiência.

 

O encontro para a conciliação entre as partes começou às 10 horas - meia hora antes, os representantes da universidade estavam no fórum. Dois alunos, um funcionário da universidade e seu advogado chegaram depois. O grupo foi logo informando a sua intenção de não sair da reitoria. E explicou a razão: "Todas as nossas decisões são tomadas por meio de assembleia e isso é impossível de se fazer no fim de semana", afirmou o representante dos funcionários da USP, Marcelo Pablito.

 

A ordem de reintegração de posse do prédio da reitoria havia sido dada pela juíza Simone Gomes Rodrigues Cassoretti, a mesma que conduziu a audiência de conciliação. Ela mandou os estudante saírem da reitoria - o prazo acabaria ontem, às 17h. Agora, se eles não saírem até as 23h de segunda-feira, a juíza poderá ordenar a retirada forçada pela PM.

 

O aumento do prazo deve servir para os alunos convocarem uma nova assembleia. Em 1.º de novembro, uma outra votou pela desocupação do prédio da Faculdade de Filosofia (FFLCH), que havia sido invadido dias antes após três alunos que fumavam maconha serem detidos pela PM. Os derrotados nessa assembleia iniciaram uma reunião e votaram pela ocupação do prédio da reitoria - invadida depois.

 

No centro da discussão está o convênio assinado pela USP com a PM e o poder do reitor, João Grandino Rodas.

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