USP: flagrante de maconha acaba em quebra-quebra

PMs usaram gás lacrimogêneo e estudantes reagiram a pedradas

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2011 | 03h01

A abordagem feita por PMs a três estudantes de História da Universidade de São Paulo que estavam com maconha provocou quebra-quebra, protestos e ocupação ontem da sala da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, no câmpus do Butantã, na zona oeste. O auge da confusão foi às 22h, quando os alunos estavam sendo levados ao 91.º DP.

A viatura em que eles estavam foi rodeada por universitários e teve vidros quebrados a socos e pedras. Alunos chegaram a subir no veículo. Para dispersar a aglomeração, a polícia usou spray de pimenta e lançou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Estudantes revidaram com pedras. Policiais deixaram o câmpus em alta velocidade. Segundo a corporação, três deles ficaram feridos - dois na cabeça - e seis viaturas foram depredadas.

O flagrante havia sido feito cinco horas antes. Segundo o tenente Luiz Salles, do 16.º Batalhão, a intenção inicial era fazer um termo circunstanciado na própria universidade, o que evitaria a ida ao DP. Mas PMs ficaram com os documentos dos três estudantes e a situação esquentou com a chegada de integrantes do Sindicato dos Funcionários da USP, que iniciaram o bate-boca. Mais alunos foram se aglomerando e a tentativa de professores e PMs de contornar a situação foi interrompida.

Por volta das 20h, já havia cerca de 400 alunos protestando contra a presença da PM na universidade e gritando palavras de ordem, do tipo: "Maconha é natural, coxinha (termo pejorativo para policial) é que faz mal", "Fora PM do mundo" e "Ditadura, assassinatos e tortura. Não esquecemos".

Uma hora e meia depois, o comandante do 16.º Batalhão, coronel José Luiz de Souza, e um delegado chegaram ao câmpus para levar os alunos detidos ao DP. Estudantes os escoltaram em uma corrente humana até a viatura. O carro partiu, mas um grupo impediu a passagem, enquanto outros corriam atrás do veículo, incentivados por um carro de som que pedia que estudantes bloqueassem o caminho. Foi quando a confusão se armou e até jornalistas foram agredidos. O repórter fotográfico do Estado Tiago Queiroz, por exemplo, foi empurrado e impedido de fotografar. Alunos também tentaram arrancar sua câmera. O tumulto só diminuiu após a PM usar gás lacrimogêneo e sair com os três alunos. No DP, a informação à meia-noite era de que eles seriam autuados por porte de entorpecente e logo depois liberados.

Patrulha. A presença de PMs na Cidade Universitária foi intensificada, por meio de convênio com a universidade, após a morte do aluno Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, durante tentativa de assalto em maio.

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