USP está tomando medida responsável

No caso dos acontecimentos recentes da universidade, as festas não estavam contribuindo para a convivência

Paulo Carrano, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 03h00

A universidade é um lugar de convivência acadêmica, científica e cultural. A festa em si não é um problema. As pessoas têm de ver a universidade como lugar de encontro. A questão é como qualificar essa festa. No caso específico da USP, parece que elas ocorrem em uma proporção muito grande, saindo do controle até dos organizadores. Há casos graves de denúncias de estupro e, recentemente, até morte. Parece que a universidade está tomando uma medida responsável. Todas as evidências apontavam para que a instituição tomasse uma atitude sobre isso.

Os estudantes fazem parte da comunidade acadêmica e têm de participar das instâncias de decisão, até para influenciar. De certa maneira, até assumir que a atitude do conselho é uma atitude de proteção da instituição, da comunidade acadêmica. Os estudantes têm de pensar também antes de se rebelar, em como se chegou a isso, porque na verdade o que essa determinação propõe é a mercantilização do espaço universitário.

Ao entrar nesses sites de balada, percebe-se que isso virou um grande empreendimento de mercado. De imediato, há uma bloqueio a esse tipo de empreendimento. Há de se ter maior controle com autorização - maior corresponsabilização e algo que seja compatível com a vida universitária, em momentos que não atrapalhe as atividades cotidianas, com espaços que comportem o público esperado. Os estudantes responsáveis, preocupados também com o agravamento da situação, vão tentar dialogar. No entanto, sabemos que toda regra traz o risco de ser burlada. Acho que é preciso ver como as coisas vão se processar.

É importante ressaltar que esse fenômeno não ocorre só na USP, mas a discussão está em todo o Brasil. Onde há universidade, há demanda por festas e a necessidade de que elas contribuam para o ambiente universitário. No caso dos acontecimentos recentes da USP, as festas não estavam contribuindo para a convivência que se procura. 

Por fim, a suspensão da bebida alcoólica poderia ser algo temporário. Pode ser que tenha havido consumo excessivo, por isso a proibição. A bebida é um motivador de violência. É sempre razoável que a universidade tome medidas de emergência para parar com determinado problema, tomar fôlego, respirar, abrir sindicâncias em casos específicos e, a partir daí, tomar uma decisão. 

PAULO CARRANO É DOUTOR EM EDUCAÇÃO E COORDENADOR DGRUPO DE PESQUISA OBSERVATÓRIO JOVEM DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUM

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