USP está fazendo 'tudo o que pode' contra casos de estupro, diz reitor

USP está fazendo 'tudo o que pode' contra casos de estupro, diz reitor

Para Zago, denúncias de violência refletem o que também ocorre fora dos muros da universidade

Fabiana Cambricoli e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2014 | 20h30

Atualizada às 21h26

SÃO PAULO - O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, disse nesta segunda-feira, 24, que a instituição tem tomado todas as medidas necessárias para investigar as denúncias de violência entre alunos, como as de abusos sexuais na Faculdade de Medicina (FMUSP). Segundo ele, a violência acontece dentro da USP como em qualquer outro local da sociedade. 

As denúncias, para Zago, “devem ser tratadas com a devida atenção, tanto pela universidade, por seus aspectos educativos, quanto pelo Ministério Público, no que diz respeito a crimes”. Após a repercussão negativa dos relatos de estudantes, a condução da crise tem ficado a cargo da direção da FMUSP. A reitoria diz respeitar a autonomia da unidade e evita se manifestar sobre o caso. 

Ainda segundo Zago, a reitoria não está “absolutamente” sendo omissa na apuração dos casos e “tudo que a universidade pode fazer, ela deve fazer e está fazendo”. O dirigente não detalhou, porém, quais foram as providências tomadas.


Zago disse que os episódios refletem a insegurança que há fora dos muros da USP. “A Universidade de São Paulo, por sua enorme extensão e tamanho, tem ocorrências como em qualquer local da sociedade”, afirmou ontem, após um seminário sobre os 80 anos da instituição.

Apuração. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realiza hoje a segunda audiência pública sobre denúncias de violência sexual na FMUSP. O diretor da unidade, José Otávio Costa Auler Junior, convidado novamente a comparecer, já informou que não vai. Ele quer esperar a reunião da congregação, órgão máximo da faculdade, para se manifestar.

A reunião está marcada para esta quarta-feira, 26, e deverá definir as principais medidas a serem tomadas pela FMUSP para coibir atos de violência. Auler Junior se colocou à disposição da comissão para ir à próxima audiência após a congregação. 

Na semana retrasada, duas alunas relataram, na primeira audiência pública, terem sido estupradas em festas da faculdade. O Ministério Público investiga pelo menos oito casos de estupro ocorridos na unidade.

Na audiência desta terça também serão analisadas denúncias de violência na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP). O diretor da unidade, Carlos Gilberto Carlotti Junior, confirmou presença. 

O objetivo da comissão é questionar a diretoria da FMRP sobre eventuais problemas registrados em festas de alunos da unidade. Carlotti Junior também deve ser questionado se estuda proibir festas, como aconteceu na Medicina da capital. 

A Escola Politécnica também suspendeu, em setembro, festas após a morte de um jovem em evento promovido por alunos da unidade. O Comitê Gestor da Cidade Universitária está analisando novas regras para punir festas irregulares ou problemas em eventos no câmpus. 

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