USP e Unicamp ficam no top 10 dos Brics

Universidades paulistas aparecem em 8ª e 10ª posição em ranking da QS; lista inclui apenas Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2013 | 02h07

A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aparecem entre as dez primeiras instituições de ensino superior dos Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, segundo lista divulgada ontem pela Quacquarelli Symonds University (QS), publicação britânica que divulga alguns dos principais rankings mundiais de universidades.

A divulgação foi feita duas semanas depois de a Times Higher Education (THE) publicar seu primeiro ranking de instituições de países emergentes, com 22 países, entre eles os Brics, e no qual o Brasil não apareceu nem sequer entre os dez primeiros - a USP ficou em 11.º e a Unicamp, em 24.º.

No ranking da QS divulgado apenas com países dos Brics, a USP aparece em 8.º lugar e a Unicamp, em 10.º. Na comparação entre países, o Brasil ficou em 3.º lugar, com 17 instituições entre as top 100, atrás de China e Rússia, com 40 e 19 instituições, respectivamente.

A China, aliás, foi o destaque do ranking, com as duas principais universidades: a Universidade de Tsinghua e a de Pequim, respectivamente 1.º e 2.º lugares. O país liderou com 22 instituições entre as top 50, 7 entre as top 10 e 4 entre as top 5. No fim da lista ficaram Índia, com 16 universidades, e a África do Sul, com 8.

Critérios. Para a classificação das universidades foram considerados oito indicadores, como reputação acadêmica, reputação entre empregadores, proporção de professores e alunos, professores doutores, publicações, citações em artigos científicos e número de professores e de alunos internacionais.

Leandro Tessler, professor de Física da Unicamp e que faz parte da equipe internacional de consultores da QS, disse que o ranking tem como diferencial a avaliação das universidades sob a perspectiva do estudante e que tanto USP quanto Unicamp tiveram destaque nos quesitos de internacionalização. "Mas, sem dúvida, o maior gargalo hoje para aumentar a internacionalização ainda é aumentar a presença do inglês nas universidades brasileiras."

O diretor científico da biblioteca Scielo Brasil, Rogério Meneghini, afirmou que o ranking levou em consideração mais a reputação das universidades - 30% da nota - do que a produção científica.

"O Brasil ficou com uma posição inferior à Rússia porque as universidades russas são mais tradicionais do que as brasileiras. Já o Brasil tem publicado mais e melhor."

O chefe de pesquisa da QS, Ben Sowter, disse que as nações dos Brics terão mais instituições com bom desempenho regional e global. "As top 10 relacionadas com reputação acadêmica mostram os resultados globais de perto, deixando claro que essas universidades são altamente consideradas por seus pares internacionais."

Sobre o desempenho do Brasil, ele afirmou que "existem planos ambiciosos para expandir o número de estudantes brasileiros no exterior". "Com o tempo, o resultado será um sistema universitário brasileiro mais internacionalmente integrado."

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