USP deve ter base e PMs de bicicleta

Em reunião após morte de aluno, conselho aprova maior presença da polícia no câmpus, com rondas em bancos e estacionamentos

Vitor Hugo Brandalise e Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

A Polícia Militar planeja promover ações específicas para a Universidade de São Paulo (USP), como reforço do patrulhamento próximo aos estacionamentos, rondas policiais de bicicleta de dia e policiamento a pé na área das agências bancárias do câmpus no Butantã, zona oeste da capital. A instalação de base comunitária também é estudada.

O aval para a PM atuar dentro da Cidade Universitária foi concedido ontem pelo Conselho Gestor do Câmpus da USP, em reunião extraordinária convocada pelo reitor, João Grandino Rodas, após o assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, na noite de quarta-feira.

"Essas são algumas ações estudadas para a universidade, pelas características que percebemos no local. A decisão virá nos próximos dias, assim que a universidade apresentar sua demanda", disse o coronel Marcos Roberto Chaves, comandante do Policiamento da Capital. Hoje, a PM age na USP só em operações especiais, ou quando é solicitada pela Guarda Universitária.

Após a decisão quase unânime - dois dos 40 conselheiros votaram contra -, uma nova reunião deve ser convocada para definir como será e quando entra em vigor a parceria com a PM. "Será elaborado um protocolo para definir os limites da ação policial e (a polícia) estará no câmpus o mais rápido possível", disse o presidente do Conselho Gestor, José Roberto Cardoso.

No mês passado, a PM também sugeriu à USP reforço na fiscalização das portarias, melhorias na iluminação do câmpus e reparos no muro que separa a universidade da Favela São Remo. "Desde 18 de abril, a Guarda Universitária informa diariamente a PM sobre as ocorrências registradas no câmpus. A partir dessas informações, estamos fazendo um planejamento detalhado e direcionado para o problema lá dentro", afirmou o coronel Theseo Toledo, do Comando Regional Oeste da PM.

A USP afirma que essas melhorias "estão em curso" desde 3 de maio, quando foi definida a elaboração de um "plano emergencial de segurança". A primeira medida será melhorar a iluminação - o edital de licitação será publicado na semana que vem. "Haverá reforço na guarda, mais câmeras e reparo nas existentes", disse Cardoso.

Oportunista. Para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, que votou contra a presença da PM, trata-se de "medida oportunista". "A cidade toda é policiada e não é isso que resolve a questão", disse o estudante Thiago Aguiar, de 22, diretor do DCE. O outro voto contrário foi da diretora da Faculdade de Educação, Lisete Arelaro.

O Centro Acadêmico da FEA se pronunciou a favor da decisão. Para seus integrantes, deve haver uma "convivência harmônica entre policiais e alunos". No entanto, a entidade diz que os problemas de segurança não serão resolvidos apenas com a PM. /COLABOROU FELIPE FRAZÃO

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