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USP assina acordo no Ministério Público contra trotes na Esalq

Promotores de Justiça estarão no câmpus de Piracicaba e veterano que abusar de calouro poderá ser expulso

Rene Moreira , Especial para O Estado

10 Fevereiro 2015 | 15h35

FRANCA - Para evitar problemas na volta às aulas, no dia 23 deste mês, a direção da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), instituição da Universidade de São Paulo (USP), assinou um termo no Ministério Público se comprometendo a combater os trotes no câmpus que fica em Piracicaba (SP). 

O local teve nos últimos meses denúncias de violência e abuso sexual entre os alunos. O assunto é objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo. Para este ano, com o objetivo de evitar que calouros sofram nas mãos dos veteranos, uma séria de medidas será colocada em prática.

A Esalq vai fazer campanhas de conscientização neste início de ano letivo e promotores de Justiça estarão presentes no câmpus falando em palestras aos estudantes e acompanhando o ambiente universitário. Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi assinado e prevê ainda outras ações para enfrentar e apurar os trotes.

Os 430 novos alunos terão já no início das aulas a "Semana de Integração aos Ingressantes", quando serão orientados sobre a vida na USP e os canais de denúncia caso tenham algum problema no convívio acadêmico. "O trote não é um valor da nossa instituição e seremos ainda melhores sem ele", afirmou em nota Luiz Gustavo Nussio, diretor da Esalq.

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Histórico. De acordo com relatos dos próprios alunos, a entrada para o câmpus de Piracicaba costumava ser de muita violência. Um estudante denunciou que teve um produto jogado no corpo que causou queimaduras e até prejudicou os movimentos. Já uma ex- aluna disse ter sido abusada em uma república.

Para evitar novas situações do tipo, foi definido na reunião com o Ministério Público que casos que acontecerem fora do câmpus também terão repercussão interna, ou seja, as repúblicas serão consideradas extensão da universidade. Já os estudantes envolvidos em trotes serão objeto de sindicância com o risco de serem expulsos.

Os alunos da Esalq, através do Centro Acadêmico, divulgaram documento em favor de medidas para "coibir práticas opressoras realizadas por estudantes dentro e fora da universidade".

Tortura. Nesta segunda-feira, 10, o presidente da CPI que apura denúncias de trotes nas universidades paulistas, deputado Adriano Diogo (PT), esteve em Piracicaba. Além da Esalq, ele foi até a Câmara Municipal que aprovou a realização de audiência pública também para tratar do assunto.

A comissão presidida por Diogo encerra os trabalhos em 14 de março, ocasião em que apresentará o relatório final propondo, entre outras medidas, que trote seja considerado crime de tortura.

      

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