USP amplia câmpus e cursos em Santos

A Universidade de São Paulo (USP) vai aumentar seu câmpus em Santos, no litoral paulista, e criará novos cursos de graduação, pós-graduação e extensão no local. A área passará de 5,2 mil metros quadrados para mais de 20 mil m².

Bárbara Ferreira Campos, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2013 | 02h07

Hoje, a unidade da USP na cidade funciona na Escola Cesário Bastos, na Vila Mathias, no centro, onde são oferecidos os cursos de graduação em Engenharia do Petróleo, Licenciatura em Ciências e Especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola. Agora, a universidade vai reformar o prédio antigo e, atrás, construirá um novo.

O edifício terá quatro andares e um custo estimado em R$ 68,6 milhões, valor que será pago pela universidade. Segundo a assessoria da USP, o projeto do novo prédio deve ser concluído até o fim do ano e, só depois disso, o prazo para as obras será calculado. Já a reforma da Escola Cesário Bastos será feita em etapas e não atrapalhará o andamento dos cursos oferecidos.

Para o novo câmpus, a universidade criará cursos a partir do ano que vem (mais informações abaixo.), e eles serão oferecidos no vestibular de 2016. Ainda não foram definidos os números de docentes e de vagas.

A grade oferecida terá como foco a extração de petróleo e as pesquisas ambientais. A ideia da USP é aproveitar o potencial da região e se aproximar do Parque Tecnológico. Para isso, passará a fazer parte do Conselho de Administração e do Conselho Técnico da Fundação Parque Tecnológico de Santos.

O reitor da universidade, João Grandino Rodas, disse ao Estado que a criação do câmpus em Santos foi "estratégica". "A USP, que já possui tradição de décadas em oceanografia e engenharia de petróleo, deveria ficar mais próxima do mar, para melhor se dedicar a pesquisas de ponta nesse setor, juntando, de um lado, a expertise que já possui e, do outro, aprofundando seu relacionamento internacional de estudos nessa área. Muitas são as faculdades e os institutos da USP que estão colaborando e prestes a colaborar nesse novo câmpus, o que o tornará multidisciplinar e diferenciado", afirmou.

Ele ressalta, no entanto, que o plano de expansão da universidade em outros locais do Estado será cauteloso. "A USP foi considerada na última avaliação da QS Universities (grupo de pesquisa britânico que publica anualmente um dos mais importantes rankings de instituições do planeta) universidade 'extra large'. Isso significa que, se a universidade continuar sua expansão numérica, poderá vir a ser considerada uma universidade de massa, deixando de aparecer nos rankings das universidades de pesquisa", disse.

Aval. Para especialistas em educação, o novo câmpus da USP atende às demandas da indústria de ponta da região e aproxima pesquisadores de objetos de estudo. "As questões centrais de poluição de água e do ar se concentram no litoral e em Cubatão, e as pesquisas sobre Mata Atlântica devem ser feitas lá e não na Cidade Universitária. Tem todo o sentido a criação desse câmpus", afirma o economista e pesquisador Claudio de Moura Castro.

Para ele, a procura será alta. "A função da USP é promover o tipo de formação que não é oferecida normalmente no ensino privado. Esses cursos não terão 50 mil alunos, podem ter uma clientela pequena, mas para a qual não há alternativa."

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