USP: 4 chapas concorrem à reitoria

Dos inscritos, três são vinculados à gestão atual, comandada por João Grandino Rodas, que se mantém discreto sobre o preferido

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2013 | 02h15

Atualizado às 8h15.Foram divulgadas nessa terça-feira, 15, as quatro chapas que concorrem à gestão da reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Três delas são encabeçadas por professores que integram a administração de João Grandino Rodas, o atual reitor, que mantém discrição sobre o candidato preferido. O Diretório Central de Estudantes, a Associação de Docentes e o Sindicato dos Trabalhadores não manifestaram apoio a nenhum delas.

O último diretor da Escola Politécnica, José Roberto Cardoso, e o último vice-reitor, Hélio Nogueira da Cruz, já articulavam as candidaturas há meses. Vahan Agopyan, da pró-reitoria de Pós-Graduação, abriu mão de concorrer à vaga para ser vice na chapa liderada por Marco Antonio Zago, que chefiava a pró-reitoria de Pesquisa. Zago e Cardoso tentam o cargo pela primeira vez.

A surpresa na disputa é Wanderley Messias da Costa, último superintendente de Relações Institucionais. Segundo ele, que assume discurso de continuidade, sua candidatura foi articulada nos últimos 15 dias por um grupo de professores da gestão Rodas e outras lideranças docentes dos câmpus do interior, como a ex-reitora Suely Vilela. Todos tiveram de deixar os cargos de direção ou chefia para concorrer.

O resultado da consulta informativa, sem caráter decisório, a todos os alunos, funcionários e professores da USP será divulgado em 14 de dezembro, cinco dias antes da eleição.

Propostas. Descentralizar a estrutura de poder, incrementar os cursos de graduação e internacionalizar a universidade são propostas comuns aos candidatos. Outro ponto de preocupação é o equilíbrio orçamentário da USP, que tem usado reservas financeiras para pagar os salários de professores e funcionários. Os candidatos defendem a política de bonificação, mas não cogitam adotar cotas.

Veterano nos setores administrativos da universidade, Hélio Cruz aposta em sua experiência como diferencial. "Não é trabalho para principiante. A administração da USP é tema para profissional", ressalta. Para Cruz, seria importante investir em projetos acadêmicos, após a série de obras e reformas conduzidas por Rodas. Ele também defende a ampliação de projetos interdisciplinares.

Embora reconheça avanços, José Roberto Cardoso é um dos mais críticos à atual gestão e se queixou dos problemas recorrentes de comunicação entre reitoria e unidades. "Queremos acabar com a política do 'toma lá, dá cá', de alguns privilegiados", afirma. Uma de suas plataformas é a modernização dos cursos e laboratórios e aprimoramento do ensino a distância. "Do tripé pesquisa, ensino e extensão, só a primeira teve investimentos adequados".

Marco Antonio Zago também quer priorizar a graduação, com uso de tecnologias, treinamento de docentes e combate à evasão, que tem índices superiores a 20%. "O formato de ensino é ultrapassado, apesar de iniciativas pontuais", afirma. Ele ainda propõe parcerias com grupos de pesquisa estrangeiros para incentivar intercâmbios e mais aproximação com a sociedade.

Wanderley Costa pretende ser o primeiro docente da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas a comandar a USP. Segundo ele, a facilidade de articular atores internos e externos à universidade é uma vantagem. "Além da experiência de gestor, tenho um bom perfil de diálogo", destaca. Uma de suas propostas é criar uma assessoria especial para questões comunitárias, associativas e sindicais.

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