Uso ilegal de gás em restaurante causa explosão no Rio: 3 mortos e 17 feridos

O estoque clandestino e o uso ilegal de cilindros de gás foram as prováveis causas da explosão que matou 3 e feriu 17 pessoas - 3 em estado grave - na manhã de ontem no restaurante Filé Carioca, na Praça Tiradentes, centro do Rio. O impacto quebrou janelas até o 9.º andar do Edifício Riqueza. O deslocamento de ar lançou uma das vítimas a 35 metros de distância.

PEDRO DANTAS , BRUNO BOGHOSSIAN / RIO, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2011 | 03h02

A tragédia ocorreu às 7h21, depois que os funcionários tentaram sem sucesso controlar um vazamento de gás. O tremor foi sentido em outros prédios e levou pânico a hóspedes de um hotel da cadeia Formule 1, vizinho ao restaurante.

A funcionária do Filé Michelle Santos, de 29 anos, esteve no restaurante momentos antes da explosão. "Cheguei às 7h e o seu Antônio, o cozinheiro (o chefe), pediu que eu saísse e não deixasse ninguém entrar, mas entrei com ele e senti um forte cheiro de gás. Havia dois outros rapazes. Eu saí, mas eles ficaram na porta. Eu andei e pouco depois ouvi a explosão." O chefe de cozinha Severino Antônio e o sushiman do restaurante, Josimar dos Santos Barros, foram arremessados para o outro lado da Praça Tiradentes e morreram na hora. Matheus Maia Macedo de Andrade, de 19 anos, que seria bancário, passava pelo local e, atingido em cheio pela explosão, também morreu.

Segundo o comandante dos bombeiros, coronel Sérgio Simões, o condomínio do Edifício Riqueza foi notificado sobre a proibição do uso de gás em agosto de 2010. Ele mostrou laudo com o parecer, desrespeitado pelo restaurante.

A CEG, concessionária de fornecimento de gás do Rio, informou que desde 1961 não abastecia o prédio por falta de estrutura do local. Após a explosão, os bombeiros recolheram três botijões de gás de 13 litros. Funcionários revelaram que o fogão era abastecido precariamente por uma bateria de cilindros de gás interligados, que tinham apresentado vazamento na terça-feira. O atendente Renato Fiel afirmou que os seis cilindros de grande porte ficavam no subsolo. "Quem ficava responsável por mexer nos cilindros de gás era o cozinheiro", disse.

Choque. O proprietário do Filé Carioca, Carlos Rogério do Amaral, de 47 anos, que pode ser indiciado por homicídio culposo, foi internado em estado de choque no Hospital Quinta D'Or.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.