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Uso do ‘volume morto’ começa sob polêmica

Órgãos gestores e Sabesp divergem sobre necessidade de se deixar reserva de 50 bilhões de litros para dezembro

Por Fabio Leite
Atualização:

SÃO PAULO - O "volume morto" do Sistema Cantareira começará a ser usado nesta quarta-feira, 14, pela primeira vez na história para abastecer a Grande São Paulo. Mas ainda resta um impasse entre os órgãos gestores do manancial e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) sobre a necessidade de se deixar uma reserva estratégica de 50 bilhões de litros para dezembro, caso a estiagem atípica se repita.

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A quantidade equivale a cerca de 5% do volume útil total do manancial, de 981 bilhões de litros, e a 27% dos 183 bilhões de litros de água represada abaixo do nível das comportas que a Sabesp começa a captar nesta quinta, com uma operação especial. Além disso, ainda restam 83,7 bilhões do volume útil do Cantareira, ou 8,6% da capacidade total do sistema.

Sem previsão. Para os defensores da reserva estratégica do "volume morto", ainda não há nenhuma garantia de que a pluviometria voltará à normalidade na próxima temporada de chuva, que ocorre entre setembro e março. Um cenário mais realista só poderia ser traçado em novembro e, por isso, cogita-se a necessidade de deixar a reserva estratégica.

Na última temporada de chuva, por exemplo, a estiagem só começou a ficar mais crítica a partir de dezembro, quando a vazão média afluente ao Cantareira ficou em 45% em relação à média histórica do mês. Em fevereiro, pior mês da crise, o índice caiu para 13%. Segundo estudo contratado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) e revelado nesta terça-feira pelo Estado, estiagens tão severas assim só ocorrem a cada 3.378 anos.

A manutenção de uma reserva estratégica de 5% é uma medida já adotada nos mananciais utilizados para geração de energia elétrica. A definição sobre o assunto deve ocorrer nos próximos dias entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), órgãos gestores do Cantareira.

Março. Inicialmente, a Sabesp previa que o "volume morto" seria suficiente para abastecer a Grande São Paulo por quatro meses. Ao comitê anticrise que monitora o Cantareira, a empresa informou que a reserva duraria até novembro. Agora, o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, afirma que, com a economia de água pela população e o remanejamento de outros sistemas, o volume garante o abastecimento até março.

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