Uso de transporte individual causa problemas à sociedade, diz especialista

Em entrevista ao Estado, Renato Boareto defende que uso de carros particulares deve ser taxado para compensar os prejuízos que causa

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 13h47

SÃO PAULO - Nenhuma cidade conseguirá investir no sistema viário na mesma velocidade que o crescimento da frota de carros particulares exige. A avaliação, de Renato Boareto, coordenador em mobilidade do Instituto de Energia e Meio Ambiente, impõe duas questões aos governantes: que modelo de cidades queremos construir e que tipo de transporte o poder público vai priorizar.

"Nós defendemos que ele tire o transporte público do congestionamento, que é causado pelos veículos privados em vias públicas", disse Boareto, em entrevista via Hangout, uma ferramenta de videoconferência do Google, ao repórter Rodrigo Burgarelli, do Estado de S.Paulo.

Para Boareto, a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada no início de fevereiro pela presidente Dilma Rousseff, é um marco importante para a discussão sobre o transporte nas cidades Brasileiras. O especialista enumera três elementos que merecem atenção na legislação.

A lei permite que qualquer cidadão exija das Prefeituras que investimentos viários contemplem transporte público e não motorizado, como ciclovias e calçadas.

Em segundo lugar, Boareto destaca os marcos regulatórios para estimular o transporte público e desestimular o uso de transporte individual.

O terceiro ponto que Boareto ressalta são os planos de mobilidade urbano, exigidos para cidades conforme o tamanho da população. "O que vai fazer diferença (nesse plano)? É se você tiver o objetivo de aumentar o transporte público não motorizado no conjunto de deslocamentos urbanos."

Transporte individual. Segundo Boareto, é importante o cidadão perceber que o uso de transporte individual causa problemas para a sociedade. E esses problemas devem ser compensados financeiramente, com taxas de congestionamento - ou pedágio urbano -, entre outras medidas.

"Nenhuma ferramenta pode ser usada de forma isolada", diz ele, que ressalta que o valor arrecadado com esse tipo de taxa tem que ser investido, por lei, em transporte público.

Um dos argumentos do especialista para a taxação do transporte individual é que tráfego gerado por automóveis particulares influi até na tarifa do ônibus, aumentando o preço.

 

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