Uso de patinete a motor causa polêmica em Higienópolis

Colégio Rio Branco usa Segway para fazer segurança, mas CET diz que objeto não pode ser utilizado em calçadas

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

É reclamação rotineira de quem mora em Higienópolis dizer que a operação policial na cracolândia causou a migração de dependentes para ruas do bairro residencial nobre da região central. Entre as medidas de segurança adotadas nos últimos seis meses, a mais polêmica e recente partiu do Colégio Rio Branco: dois seguranças percorrem as calçadas da região em Segways, uma espécie de patinete motorizado movido a bateria.

O uso dos aparelhos, que alcançam 40 quilômetros por hora, causou reclamações de pedestres que circulam pela região. Outros apoiam a iniciativa, como os clientes do vizinho Shopping Higienópolis, assaltado duas vezes no ano. Segundo a direção do colégio, os equipamentos são usados de forma "preventiva", para evitar assaltos.

Os patinetes rodam no sentido contrário das outras duas motos usadas pelos seguranças da escola em patrulhas pela Avenida Higienópolis. "Todo mundo fica com medo desses viciados em crack que aparecem por aqui. É direito da escola usar o que quiser para proteger os alunos", defende Maria de Almeida Russo, de 54 anos, moradora no Edifício Bretagne. "Vou a pé para o shopping todo dia e fico mais tranquila quando vejo os patinetes."

Morador no mesmo edifício e também com o costume de andar a pé pelo bairro, Carlos Roberto Carnevalle, de 46 anos, disse já ter feito reclamação no serviço 156 da Prefeitura. "Bicicleta já é uma falta de educação contra os pedestres. Esse Segway chega a ser uma agressão. Só vão tomar providência depois que alguém for atropelado", reclama o médico, nascido e criado no bairro. Ele, entretanto, concorda que a região se tornou "mais assustadora" depois do início da operação na cracolândia, em agosto do ano passado.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que atualmente não existe autuação prevista para o "veículo denominado Segway". Isso porque esses patinetes motorizados ainda não foram regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e, portanto, não podem circular pelas ruas das cidades.

"A resolução do Contran número 315, de 8 de maio de 2009, estabelece a equiparação dos veículos ciclo-elétricos aos ciclomotores. Entretanto, por suas especificações, o Segway não se encaixa nessa definição", informou, por meio de nota, a Assessoria de Imprensa da CET. A Companhia avalia que "sua circulação só deveria ocorrer em ambientes privados e fechados".

A falta de regulamentação significa que a circulação desses veículos deveria ser vetada nas ruas e avenidas. Mas a falta de cadastro desses veículos junto aos órgão de trânsito - justamente porque não foram regulamentados - impede ações, como multas aos condutores. O tráfego nas calçadas é ainda mais irregular, uma vez que a legislação de trânsito não permite nem bicicletas nesses locais.

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