Paulo Giandalia/AE
Paulo Giandalia/AE

Uso de banheiro feminino por Laerte termina em polêmica

Cartunista reclama de discriminação em pizzaria

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2012 | 03h04

O cartunista Laerte Coutinho, de 60 anos, se envolveu em uma polêmica anteontem após ser proibido de usar o banheiro feminino da Pizzaria e Lanchonete Real, no Sumaré, na zona oeste. Desde que passou a se vestir publicamente com roupas de mulher, em 2010, ele afirma que nunca havia enfrentado situação semelhante. Indignado, postou mensagens sobre o assunto em redes sociais e pretende processar o restaurante por se sentir discriminado.

Laerte contou que já havia usado o banheiro feminino como costuma fazer. Na saída do estabelecimento, foi alertado por um dos sócios do local que, da próxima vez, teria de usar o masculino. O aviso foi motivado pela reclamação de uma cliente, cuja filha estava no banheiro.

"O gerente garantiu o direito da freguesa de espernear em detrimento do meu direito. Ele foi gentil, mas a ação que praticou é um cerceamento", disse Laerte.

Com a cliente, a discussão foi mais acalorada. "O que a mulher queria dizer com: 'Eu tenho crianças'? Qual o problema de a menina ver uma travesti no banheiro? As pessoas pensam que os outros andam pelados dentro do banheiro", afirmou Laerte. "O banheiro é um tabu que precisa ser encarado de maneira menos apaixonada."

O sócio Renato Cunha, de 19 anos, foi quem avisou Laerte de que ele deveria usar o banheiro dos homens. "Expliquei que uma cliente estava reclamando muito e disse: 'Se o senhor puder usar o banheiro masculino da próxima vez'", contou.

Segundo ele, Laerte foi ao estabelecimento outras vezes, mas essa foi a primeira reclamação. "Na lanchonete, tem um pessoal mais alternativo. Mas, na pizzaria, vem gente com família, criança. Eles acharam bem constrangedor o fato de ele estar usando o banheiro feminino", disse.

Cunha contou que o restaurante não tem política sobre o tema. "Não entendo muito dessas coisas. Ele é homem, né?"

A questão também causa discussões pelo País. No ano passado, a escola de samba carioca Unidos da Tijuca foi criticada por ativistas gays após criar banheiro só para homossexuais. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2008, travestis e transexuais conquistaram o direito de usar o banheiro das mulheres.

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