Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Uso de água do Alto Tietê não alivia Cantareira

Ofício da Sabesp enviado à ANA e DAEE diz que ‘não é viável’ diminuir a exploração do maior sistema de São Paulo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Com o objetivo de manter a atual exploração do Sistema Cantareira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirmou aos gestores federal e estadual de recursos hídricos que a transposição de água da Billings para o Sistema Alto Tietê não poderá socorrer o principal manancial paulista, conforme a empresa havia anunciado. A empresa nega que haja contradição.

Em ofício enviado à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), a Sabesp pede que a captação de água do Cantareira não seja reduzida de 13,5 mil litros por segundo para 10 mil l/s em novembro, conforme havia sido determinado pelos dois órgãos, porque usar a transposição da Billings para ampliar a produção de água do Alto Tietê e socorrer o Cantareira “não é viável”. O pedido foi aceito pelo DAEE e está em análise na ANA.

A informação contradiz o que a Sabesp tem divulgado à população em campanha publicitária. Nas peças veiculadas em rádio, a empresa afirma que com a transposição “são 4 mil l/s da Billings para o Alto Tietê”, beneficiando mais de 1,2 milhão. Para os órgãos gestores, contudo, a Sabesp afirma que a “condição hidrológica” do Alto Tietê “é tão ou mais grave do que a do Sistema Cantareira, o qual viria a socorrer”. 

A Sabesp ressalta que “as projeções apontam cenários incômodos para o Sistema (Alto Tietê)” e “mesmo com a transferência da água” da Billings “teríamos de manter a produção no patamar atual, de cerca de 13 mil l/s”. A capacidade total de produção do sistema é de 15 mil l/s. “Portanto, a expectativa de ampliação da produção do Alto Tietê para suprir uma redução de produção do Sistema Cantareira não é viável, colocando em risco os dois principais sistemas produtores da Região Metropolitana de São Paulo”.

Nível. Nesta quarta, o Alto Tietê estava com 14,7% da capacidade, enquanto o Cantareira tinha 16,3%, incluindo as duas cotas do volume morto. Uma simulação apresentada pela estatal mostra que, mesmo que a situação nos próximos meses fique 20% pior do que foi em 2014, o Cantareira chegará ao fim do ano perto do limite da primeira cota da reserva profunda. 

A Sabesp afirma que já reduziu em 60% a produção de água do Cantareira, “dando mostras de atingir o seu máximo resultado”, e que uma nova restrição provocaria “enorme sacrifício” à população. A companhia ressalta ainda que neste ano já entrou 85% mais água no sistema do que no mesmo período de 2014, mas que o consumo de água deve subir nos próximos meses por causa do aumento da temperatura.

Em nota, a estatal afirma que “não há contradição” nas informações. “O que está dito no ofício é que as atuais condições de armazenamento das represas do Sistema Alto Tietê não permitem a imediata ampliação de produção. Por outro lado, é somente com a água que já está sendo enviada do Rio Grande para o Sistema Alto Tietê que está sendo possível manter o atual socorro ao Cantareira. Portanto, é real a redução da dependência do Sistema Cantareira”, afirma.


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